No Solar da Rosa (8)

Março 2, 2006

março 02, 2006
* No Solar da Rosa
O SOLAR DA ROSA

Nesta tasquinha bizarra
de ambiente bem sadio
ao doce som da guitarra
canta-se o fado vadio

Apresentador: Meus senhores e minhas senhoras, respeitável público, a todos muito boa noite. Bem vindos ao “Solar da Rosa”, este mediático espaço taverno-cultural…
Um do Público: Ouve lá pá, mas esta merda é algum ritual litúrgico?…Pôrra!… Vê lá se inovas ó meu!… Deixa lá os cházinhos de circunstância e passa à acção!
Outro: Yes, é isso mesmo, cala-te lá o meu paralelipípedo rectângulo, tu e os teus discursos geométricos…
Ainda Outro: Paralelipípedo, eh,eh,eh,eh! com tanto afago no cimo do discurso ainda vira mas é pirâmide!
Plateia: Eh,eh,eh,eh,eh,eh! Vai-te embora ó iaque dos Himalaias!
Apresentador: Meus senhores por favor! Eu só estou a fazer o meu trabalho…

(Perante a gravidade da situação, na eminência de rebentar um serrabulho à moda antiga, Bábá Guimarães, que se encontrava nos bastidores a seguir a cena, decide tentar acalmar os ânimos entrando em palco)

Bábá: Calma por favor!…
Plateia: Ahauuuu!!!!
Bábá: Ó meus amigos, então? Haja civismo!… Porquê tanta agressividade contra um homem honesto que só está a exercer o seu trabalho?…
Um do Público: Ó beldade do Estoril, mas não vês que o gajo é uma melga, sempre com aquela ladaínha monocórdica de igreja? a malta passa-se pá!
Outro: Bem… se fosses tu, eh,eh,eh!…
Ainda Outro: Podia ficar aí o resto da noite que a malta não se chateava nada, eh,eh,eh!
Plateia: FICA! FICA! FICA!
Bábá: Muito obrigada pelo elogio mas quero pedir-vos um favor, posso?
Plateia: PODES!
Bábá: Agradecida. Deixem lá o senhor acabar o trabalho dele sem o interromperem ou insultarem, está bem? Prometem?
Plateia: ESTÁ! PROMETEMOS!
Um do Público: E nós podemos pedir-te uma coisa a troco?
Bábá: Depende, o que é?
O Mesmo: Mostra aí à malta a etiqueta da tua langerie interior, eh,eh,eh!
Plateia: YES! MOSTRA, MOSTRA, MOSTRA!…
Bábá: Se se portarem bem prometo que vou pensar nisso.
Plateia: PROMETEMOS!!!
Bábá: Então vou pensar. Até lá deixem correr normalmente o espectáculo sem arranjarem confusões.
Plateia: DEIXAMOS!!!

(Sai a Bábá debaixo de uma salva de palmas enorme, bocas, galanteios e assobios de bicho-homem. Volta a entrar o apresentador)

Apresentador: Os meus agradecimentos à Bábá e à vossa “compreensão”. “The show must gon”; passo a apresentar o primeiro artista da noite. Para gáudio desta maravilhosa plateia, senhores e senhoras, na minha e na vossa presença: Jorge Sampaio!

Jorge Sampaio: Muito obrigado a todos pá, pela vossa gentileza pá, estou até muito comovido pá…
Um do Público: Não vais começar a chorar pois não pá?
Jorge Sampaio: Já estou a lacrimejar…
Outro: Epá, não chore aqui. Tome lá um lencinho para se assoar e limpar o cloreto de sódio.
Jorge Sampaio: Obrigado pá, é a comoção pá, eu sou um tipo muito sensível pá…
Plateia: NÓS SABEMOS!
Jorge Sampaio: Ai sabem?!…
O do Lenço: Sabemos, mas dá cá o lencinho e não te faças esquecido.
Outro: Estes artistas são todos iguais, distraímo-nos e metem o que é nosso ao bolso, eh,eh,eh!
Jorge Sampaio: Bem… então vou cantar hoje pá um fado especial que encomendei a quem percebe da poda pá, de modo a marcar o meu adeus aos palcos pá. Consultei o Zecatelhado pá e o gajo pá disse-me pá que era giro pá, misturar dois temas que foram sucesso pá, o “dez anos” do Paulo de Carvalho pá, e o “tenho uma lágrima” do Bonga pá. Como ambos se prestam ao ritmo fadista pá, eu gostei pá, experimentei pá, e gostei pá. Com o acompanhamento do pessoal da casa pá, à guitarra o Avô Almeida, à viola o Tio Jerónimo, no baixo o Minorca Mendes e no baixo mais que baixo a Anã Droga pá, cá vai pá.

(gemem os instrumentos e Sampaio abre)

Dez anos, é muito tempo
muitos dias e horas a bocejar
dez anos, é muito tempo
vou-me embora porque estou quase a chorar

Tenho uma lágrima no canto do olho }Bis

Distribuí medalhas a rodos
comendas, serviços distintos até mais não
mas o que eu queria era dar uma a todos
mas o nabo do medalheiro não dava vazão

Tenho uma lágrima no canto do olho }Bis

Dez anos, é muito tempo
muitos dias e horas sem fazer nada
dez anos, é muito tempo
o Cavaco que aguente a xaropada!

Tenho uma lágrima no canto do olho }Bis

Plateia: Bravo! Ah, fadista! Boca linda!…
Jorge Sampaio: Obrigado a todos pá, e até um dia destes pá que até lá pá tenho muito que fazer pá!

(Sai de cena sob uma enorme ovação e entra a Bábá)

Bábá: Muito bem, estou muito contente, portaram-se lindamente…
Um do Público: E então a etiqueta?
Bábá: Calma! Agor vamos à segunda parte do espectáculo. À imagem do final do concurso televisivo “A Herança”, vamos nós fazer aqui o nosso. Eu darei as cinco palavras chave e os nossos convidados vão ter que adivinhar. E os nossos convidados são: Pedrinho Santana, Paulinho Portas e o meu rico maridinho Manel Maria….
(Público aplaude a entrada dos concorrentes)
…Ora bem, o Paulinho vai para a direita, o Pedrinho para o centro e o meu Manel para a esquerda. Preparados?
Trio: Preparados!
Bábá: CALOR, SUOR, DOR DE CABEÇA, COMPRIMIDO, MARGARINA VAQUEIRO….
…E o primeiro a entregar a resposta foi o Paulinho. O que é que aqui está escrito?… CATHERINE DENEUVE?! Explique lá porquê.
Paulinho: Então é assim:
Calor: Era o que eu sentia ao enfiar a cabeleira para ir ao Parque.
Suor: Era o que acontecia ao fim de cinco minutos de a ter enfiada.
Dor de Cabeça: Sempre que avistava um carro da bófia nas redondezas.
Comprimido: A única coisa que me fazia passar a dor de cabeça.
Margarina Vaqueiro: Besuntava o elástico da cabeleira com ela porque me evitava a alergia.
Plateia: Ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah!
Bábá: Tudo isso pode ter muita lógica mas não é a resposta certa.
Concorrente seguinte, Pedrinho.
Pedrinho Sexo!
Bábá: Como?!
Pedrinho Sexo, minha linda!
Plateia:Uauhhhhhuuuu!!!!!
Bábá: Justifique então.
Pedrinho O.K. então aí vai:
Calor: É o que sinto quando olho para as tuas pernas.
Suor: É o que acontece quando olho para o teu decote.
Dor de cabeça: Convencer-te a fazer coisas malucas comigo.
Margarina Vaqueiro: Lembras-te do “O Último Tango em Paris”?
Comprimido: Tem que ser porque detesto preservativos.
Plateia: Ah, Tigre, eh,eh,eh,eh,eh!
Bábá: Porco, mal-educado, boçal… ó Manel e tu não dizes nada a este D. Juan do Tirol?
Manel Maria: Ai digo digo minha querida: Ouça lá ó seu parvalhão, fique desde já sabendo que não o vou cumprimentar à saída, ore tome!
Pedrinho: E eu ralado!… Ó meu manjerico, eu não gosto de homens, estou-me lá a borrifar para isso!
Paulinho: Homens?!…alguém falou em gostar de homens?!…
Bábá: Foi o menino Pedrinho.
Paulinho: O Pedrinho?…mas,… ó Pedrinho, tu nunca me tinhas dito nada…
Pedrinho: Cala-te lá ó meu submarino a carvão de pedra…
Paulinho: Sub…EU?!…
Manel Maria: O senhor é um bruto, senhor Pedrinho!…
Pedrinho: Cala-te também ó meu periquito da Papuásia!… E dá Deus nozes a quem não tem dentes, tchhhh!!!!…
Manel Maria: Não tenho dentes?! (abre a boca) Tenho trinta e dois, olhe aqui, dezasseis em cime e dezasseis em baixo, seu, seu… caluniador!
Bábá: ´ÓH!… mas que criatura mais ordinária… Óh!!!! ( desmaia e cai redonda no chão como uma tábua de solho, subindo-lhe o vestido até à cintura na queda)
Plateia: A ETIQUETA! A ETIQUETA!!!!

(Correm em tropel direitos ao palco para ver de perto a cena. Pedrinho, que estava mais próximo da Bábá, ajoelha junto a ela e tenta reanimá-la com respiração boca a boca. Vendo isto, Manel Maria enfia-lhe o palanque de casquinha pela cabeça abaixo e engalfinham-se os dois. Paulinho foge a gritar por socorro porta-fora. Chega a polícia de choque e arreia à moda antiga em tudo que seja cabelo e mexa. Como sempre, o apresentador e os músicos escondem-se atrás das bambolinas. Entra o INEM e leva a Bábá)

Apresentador: Já podemos sair, não há ninguém.
Avô Almeida: Desta vez a culpa não foi do público, que até se estava a portar muito bem desde que a Bábá fez uso do diálogo. Eu sempre disse que o diálogo…
Tio Jerónimo: Está bem avôzinho, a culpa foi dos políticos da direita trauliteira. Eu sempre disse que a direita…
Minorca Mendes: Cale-se lá o Tio Jerónimo e cuspa lá a cassete que estamos na hera dos D.V.D. …
Anã Droga: Desta vez concordo com o Minorca Mendes. Como eu há muito afirmo, a cassete estalinista devia estar é no museu das antiguidades…
Apresentador: Calem-se é vocês todos que já não aguento tanto disparate junto.
Músicos: O.K., O.K., não bata mais que de pancada já bem basta o que bastou.
Anã Droga: Mas afinal… quem é que ganhou?
Apresentador: Ninguém!
Minorca Mendes: Mas então?!…
Apresentador: Então o quê?
Tio Jerónimo: Mas você sabia a resposta?!
Apresentador: Pois claro que sabia, foi a Bábá quem ma segredou antes do espectáculo.
Avô Almeida: Qual era, qual era?
Apresentador: GRIPE!
Tio Jerónimo: Gripe?!… gripe das aves?
Apresentador: Qual gripe das aves, você é que me parece uma boa ave… e das raras!… GRIPE!
Anã Droga: Pronto, está bem… mas?!…
Apresentador: O que é que foi?
Anã Droga: Não entendo uma coisa: Todas menos uma têm a ver directamente com a gripe, concordo, mas há uma que, confesso não estar a ver…
Apresentador: Qual?
Anã Droga: O Calor, o Suor, o Comprimido e a Dor de Cabeça… muito bem mas…???!!! A Margarina Vaqueiro onde é que entra nesta história?!
Apresentador: Não entra.
Anã Droga: Não entra?!… Não estou a perceber… então se não entra porque é que lá está?!
Apresentador: A Margarina Vaqueiro era só para despistar!

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No Solar da Rosa (7)

Fevereiro 18, 2006

fevereiro 18, 2006
* No Solar da Rosa
O SOLAR DA ROSA

Nesta tasquinha bizarra
de ambiente bem sadio
ao doce som da guitarra
canta-se o fado vadio

Apresentador: Meus senhores e minhas senhoras, respeitável público, uma muito boa noite para todos, a quem agradecemos desde já a presença; sejam por isso muito bem vindos.

Um do Público: Ó pá, mas tu não mudas o discurso? És sempre igual todas as semanas ó meu! Inova pá! Se não sabes como pergunta ao Mariano Gago, que é um dos patrões desta tasca, como é que isso se faz pá! Mas que canastrão do caraças, eh,eh,eh!…

(Restante público aplaude e ri alarvemente)

Apresentador: (sorriso de crocodilo) Eh,eh,eh! bem… esta noite, conforme puderam constatar no cartaz publicitário, vamos ter a presença de um artista muito especial, o grande, o imperial, o majestoso… BELMIRO DE AZEVEDO! Peço uma grande salva de palmas para este monstro do meio artístico.

(Público aplaude)

Outro do público: É bem sim senhor, um artista português que quando abre a boca e canta, cala tudo em seu redor!

Apresentador: Então ainda bem que parece haver quase unanimidade; assim sendo, vou dizer mais umas palavrinhas sobre a obra deste grande artista…

Mais um do público: Alto aí ó papagaio do Bornéu, tu vais mas é calar o trombone e arrumar o violino na caixa. Mas a malta veio aqui para ouvir fados ou para assistir a uma sessão solene de condecorações made in Palácio de Belém hein? Dá mas é meia volta aos patins e manda entrar o pessoal da cantoria, arruma lá essas apresentações pindéricas e tá a’ndar!

Outro: Apoiado, apoiado, vai-te mas é embora ó perú de Madagáscar! Uhhhhhh!!!!!!

Apresentador: Pronto, pronto, calma!… como o público tem sempre razão…

Todos: Ah bem! Eh,eh,eh,eh,eh!

Apresentador: Sendo assim que entrem os artistas: À guitarra o Avô Almeida Santos, à viola o Tio Jerónimo de Sousa, no baixo o puto Marques Mendes e no baixo mais que baixinho a Anã Droga, todos eles para acompanhar o fadista, o grande… BELMIRO DE AZEVEDO, a voz que, dizem, vai para lá do Continente.

Público: (aplaudindo de pé) Àh grande Miro pá, és o maior!

Belmiro de Azevedo: Muito boa noite a todos e muito obrigado pelo carinho que me dispensam. Esta noite vou cantar para vocês um fado com letra do Zecatelhado e com a música dos “passarinhos a bailar” -se quiserem cantem também enquanto lêm a letra-, que se intitula: “OPAmim sempre a crescer”.

( Mais aplausos do público. Luzes baixam, guitarra e violas gemem, Belmiro “arranca”)

Puz uma OPA no ar
deu-me ganas p’ra comprar
a Portugal Telecom
piu,piu,piu,piu
puz o Salgado a sofrer
e o Horta quase a morrer
cum ataque de coraçon
piu,piu,piu,piu

Foi só falar com o espanhol
apareceu o carcanhol
foi sempr’andar tão a ver?
piu,piu,piu,piu
cresce mundo da Sonae
p’ró Belmiro não há pai
ÓPAmim sempre a crescer

É dia de festa
menos p’ró Salgado
e o Horta e Costa
quem é que aposta
ficou borrado!

Puz uma OPA no ar
…..!

(Público aplaude louca e demoradamente. Numa mesa do canto fundo da sala ouvem-se apupos. São três personagens conhecidíssimas: Horta e Costa, Ricardo Salgado e João Pereira Coutinho)

Ricardo Salgado: Vais morrer de um ataque de caspa meu glutão do caraças! Fascista! Açambarcador! Monopolista!

Horta e Costa: Capitalista Selvagem! Antropófago! Iconoclasta! Vai mas é para as ilhas Caimão meu trapaceiro sem escrúpulos!

João Pereira Coutinho: Malandro! Terrorista da Nova Era! Talibã do Norte! Bombista!

Belmiro de Azevedo: Olha o trio falhado… eh,eh,eh… está cá em peso!

Horta e Costa: Trio falhado é a tua bisavó caribeña minha hidra de onze tentáculos! Ainda por cima gozas com o pagode? Ora então segura aí que esta é oferta da casa!

(Atira com uma garrafa de Dom Perignon que passa a rasar a carola do fadista)

Belmiro de Azevedo: Zarolho! agora podes atirar os aperitivos que esta bateu na bambolina e ficou inteira, eh,eh,eh!

Ricardo Salgado: Ai sim? Ai é? Então espera aí que eu vou-te levar os aperitivos em mão!

(Salta para cima do palco e engalfinha-se com o fadista. João Pereira Coutinho e Horta e Costa seguem-no e tentam malhar igualmente no artista. Dois dos gorilas do Solar da Rosa, vendo a desvantajem do cantor, saltam para o palco e equilibram a peleja. O público esse, delira com o espectáculo)

Um do público: Ah!!! Finalmente… isto é espectáculo! Fado, copos e mocada de três em pipa… Viva o genuíno espírito lusitano!

Banqueiro do Santander entre a assistência: Hombre, coño, que los portugueses son brabos! Solamente ha faltado el toro!

(Um engraçadinho da plateia, quando ouve o espanhol terminar a citação, atira-lhe com um chouriço ainda a arder na canoa e acerta-lhe em cheio na peitaça)

Banqueiro do Santander: Caracoles, estoi ardiendo! Quien foi el ijo de puta madre que…

(Era o rastilho que faltava atear. Num ápice começam a estalar nos costados e carolas, cadeiras, mesas, cinzeiros, restantes chouriços assados ou por assar, canoas da assadura e tudo o que é possível ter à mão e servir de objecto de arremesso. Chega finalmente a polícia de intervenção que malha a sério nos que ainda não cairam.
Escondidos como sempre atrás da bambolina do palco os músicos e o apresentador sussurram baixinho)

Avô Almeida Santos: Isto de tocar guitarra por desporto está a ficar deveras mais perigoso que ir para o Iraque em regime de voluntariado.

Tio Jerónimo de Sousa: É no que dá o jogo capitalista/monopolista/fascista.

Marques Mendes: A minha sorte é ter sempre a caixa da viola aos pés. É só meter-me atrás dela que me serve de escudo perfeito.

Anã Droga: Se a gerência à entrada fornecesse uns porros ao pessoal, como fazem em Amesterdão, já não havia barracadas destas. A malta fumava a broca e ficava mais mansinha que um cordeirinho do presépio; ou então entravam só gays que são uns tipos e tipas pacíficos…

Apresentador: Cale-se lá seu porta-chaves esquelético e não digas mais disparates. Você nem tem razões de queixa nenhuma! Mal começa o serrabulho enfia-se dentro da caixa da viola e fica mais segura que o tesouro americano no Forte Knox! Qual porros, qual gays qual carapuça! Vá mas é fazer um aborto dessa caixa encefálica anómala!

Anã Droga: Cale-se você seu velhadas careta! Seu cota bota de elástico!…

Avô Almeida Santos: Meus amigos calma! Apelo à tolerância…

Tio Jerónimo de Sousa: Se os verdadeiros democratas ouvissem as minhas propostas, a direita trauliteira, fascista e reaccionária…

Marques Mendes: Ó Tio Jerónimo, “ganda nóia!” feche lá a cartilha que o grande João de Deus foi o único que eu suportei; mais a mais você é torneiro mecânico e não pedagogo, por isso cale-se!

Apresentador: (espreitando por tás da bambolina) Creio que a coisa já parou. Podemos sair que já não há cá ninguém.

(Ouve-se então uma voz vinda da teia do palco)

Voz: Desculpe lá mas ainda cá estou eu!

Todos: ARTISTA BELMIRO?!

Belmiro de Azevedo: Eu mesmo da Silva!

Apresentador: Mas… não entendo…

Os Outros: NÓS NÃO ENTENDEMOS!

Belmiro de Azevedo: Mas o que é que não entendem? eh,eh,eh!

Tio Jerónimo de Sousa: Então você está no palco à batatada…

Belmiro de Azevedo: Sim…

Apresentador: E como é que aparece aí?!

Marques Mendes: Ele é alto e agrrou-se à teia, foi o que foi…não foi?!

Anã Droga: Eu seja lésbica assumida se percebo alguma coisa disto!

Belmiro de Azevedo: Vocês políticos são efectivamente umas marionetas que só funcionam se vos puxarem os cordelinhos, cérebro incluído; Tudo o que não seja assim, passa-vos ao lado, nem que seja um Jumbo da TAP -Jumbo não que é publicidade à concorrência- um Boeing da TWA. Ora então vamos lá a agarrar nos cordeis e a fazer funcionar esses miolos de pintassilgo:
Quando me convidaram para vir ao Solar da Rosa cantar um faduncho eu aceitei, embora tenha tanto jeito para cantar como para abrir valas à picareta na Fernão de Magalhães, ou seja: Nenhum; posso até adiantar que ao pé de mim o Zé Cabra parece o Pavarotti…

Avô Almeida Santos: Mas você cantou tão bem!?…

Belmiro de Azevedo: Ora aí é que está a piada disto tudo; Depois de desligar o telefone a aceitar o convite, é que eu medi bem o trinta e um em que me tinha enfiado, vai daí, telefonei ao Tony Carreira, expliquei-lhe situação, prometi-lhe uma porrada de acções da Sonae e o gajo foi na cantiga, ou antes, veio cantar por mim…

Avô Almeida: Mas eu VI-O a cantar em palco!?

Os Outros: NÓS VIMOS!?

Belmiro de Azevedo: Errado! Era o Tony Carreira com uma máscara de latex e cabeleira a preceito imitando a minha fronha!

Todos: Ahhhh!!!!

Belmiro de Azevedo: Com o barulho das luzes aquilo não se notou nada, o público como sabem são uma cambada de palavos e eu assisti deliciado aqui de cima na teia à MINHA glória, entenderam agora?

Tio Jerónimo de Sousa: Espere aí!… quer então isto dizer que o desgraçado apanhou uns sopapos por si!

Blmiro de Azevedo: Pois, mas quanto a isso…Pôncio Pilatos, lavo daí as minhas mãos, são os riscos do artista quando a coisa azeda e papa com uns tomates nas trombas!

Anã Drago: Mas não foram tomates, foram estaladões e dos grossos!

Belmiro de Azevedo: É a mesma coisa, só tem que se aguentar, pequenota da viola baixo baixinho. O que me importa a mim é que a concorrência levou uns chapadões bem aviados dos gorilas que socorreram o Tony Carreira e devem estar no S. Francisco Xavier a pôr os maxilares no sítio, eh,eh,eh,eh, enquanto eu estou aqui todo direitinho da costa, e sempre, SEMPRE A SUBIR!
Digam lá se não sou o maior!

Todos: Ai é é, OPA(´)!!!


No Solar da Rosa (6)

Janeiro 26, 2006

janeiro 26, 2006
* No Solar da Rosa
O SOLAR DA ROSA

Nesta tasquinha bizarra
de ambiente bem sadio
ao doce som da guitarra
canta-se o fado vadio

Apresentador: Ora muito boa noite minhas senhoras, meus senhores, respeitável público. Sejam muito bem vindos ao Solar da Rosa. Esta noite vamos ter para começar, um artista do fado choradinho que está a ser um tremendo sucesso de vendas. Foi muito difícil à direcção desta casa trazê-lo aqui, já que nos últimos dias tem estado assoberbado quanto baste a arrumar tralhas para a mudança de estúdio, mas com a persistência e o profissionalismo que é lema desta casa, lá o conseguimos “sacar” dos seus muitos afazeres de momento…
Um do público: Ó pá, deixa-te lá de merdas e passa à acção!
Outro: Pois claro! Nunca vi um gajo tão pindérico como tu. É só flores ó meu, pareces um jardim!…
Plateia: Eh,eh,eh! boa, boa! Cala-te ó troglodita do paleolítico inferior e põe lá o homem a cantar que é para isso que a malta pagou bilhete!
Apresentador: Calma meus senhores!…
Público: Qual calma qual caraças, vai-te mas é embora e põem o homem a cantar!
Apresentador: Se assim querem… quem manda é o público, eh,eh,eh!… Senhores e senhoras, o grande, grande, grande…Aníbal Cavaco Silva!
Como sempre teremos à guitarra o Avô Almeida, à viola o tio Jerónimo, o Minorca Mendes no baixo e no baixo baixinho a Anã Droga.
( Público aplaude. Entram os guitarristas e logo a seguir o fadista Cavaco).
Cavaco: Obrigado a todos, muito obrigado. É com imenso prazer que estou aqui perante vós para interpretar um fadinho choradinho à portuguesa. Com letra desse grande amigo reencontrado, Alberto João Jardim, e música do fado que lhe deu nome: O FADO DO 31!

(aplausos) (entram as guitarras) (Cavaco canta)

Olarilolela, como o je não há ninguém
tudo quis em Portugal o Cavaquinho em Belém }Refrão
Olarilolela, como o je não há nenhum
de Monção a Boliqueime foi um rico trinta e um

À porta da sede Rosa
dois tipos encontram dois
juntam-se os quatro e depois
em cavaqueira afanosa
de pronto se azeda a prosa
Mário, Manel outro alguém
qual deles para Belém
não se entendem nem por nada
desata tudo à lambada
ó que sorte desditosa

Aiiiii!!! }refrão

Um homem que quer granel
dentro do próprio partido
deixa tudo dividido
entre o Soares e o Manel
e eu fazendo o papel
de anjinho do além
fui aterrar em Belém
lá diz o velho ditado
às vezes o mais calado
é quem vai provar o mel

Aiiiii!!!

Olarilolela, como o je não há ninguém
tudo quis em Portugal o Cavaquinho em Belém
Olarilolela, como o je não há nenhum
de Monção a Boliqueime foi um rico trinta e um

Público de pé: Ah boca linda! Ah fadista! (aplausos)
(Cavaco agradece e sai de cena)

Apresentador: Obrigado a todos, e ainda bem que gostaram. Seguidamente, e para terminar, o grupo coral “Os Derrotados da Vida”, vai interpretar para vós o Requiem de Mozart, em estreia mundial com a letra da Internacional. Palmas para eles!

(público aplaude). Entra o coro, alinha e canta)

De pé ó vítimas do Aníbal
de pé quem não votou Cavaco
mas como é que foi possível
a vitória desse macaco?…

(49,4% do público presente na sala levanta-se e começa a apupar)

49,4% do público: Uhhh!!! vão-se mas é embora ó seus chouriços de Lafões! Uhhh!!! Ai agora ainda vêm para aqui com esse choradinho mete nojo? Uhhh!!!

( começam a voar garrafas, copos, cadeiras e tudo o que está à mão. Mário Soares apanha em cheio com um rissol de berbigão num olho, Manuel Alegre com uma torta de requeijão nas barbas, Francisco Louça com os restos de uma feijoada à transmontana no peito, Jerónimo de Sousa com uma cabeça de leitão made in Bairrada e Garcia Pereira com uma garrafa de Porca de Murça tinto no cocuruto. José Sócrates, sai disparado da plateia agarrado às muletas e sobe ao palco tentando acalmar os ânimos)

Sócrates: Calma meus senhores, tenham calma por favor!…

( Uma das muletas resvala em cima de um monte de gordura de comida, desiquilibra-se e cai redondo no chão. A bagunça é total. O Côro foge e entra a polícia de choque que corre tudo à chinfralhada ).

(Vazia a sala, o apresentador abeira-se de Sócrates que jaz sem sentidos estendido no palco e começa a dar-lhe estaladinhas na cara tentando despertá-lo.)

Apresentador: Senhor Engenheiro, ó Senhor Engenheiro, acorde por favor…

(Cavaco Silva, que ainda se encontrava no camarim aquando da desbunda, entra também)

Cavaco: Então homem, então você nesse estado vai-se armar em herói? Bem, você nos últimos dias deu dois tombos do caraças, um na Suíça e outro nas presidenciais, mas… por favor, convém não abusar, né? Eh,eh,eh!


No Solar da Rosa (5)

Dezembro 13, 2005

dezembro 13, 2005
No Solar da Rosa
O SOLAR DA ROSA

Nesta tasquinha bizarra
de ambiente bem sadio
ao doce som da guitarra
canta-se o fado vadio

***** ***** ***** *****

Apresentador: Boa noite senhoras e senhores, respeitável público. Como é do conhecimento de todos vós a sessão desta noite não vai ser preenchida com a habitual sessão de fados…
Um da Plateia: Desculpe lá!…
Apresentador: Sim?
Um da Plateia: Mas já que há guitaga e viola, eu, que tenho muito jeito e adogo cantag o fado p’rá magalhal…!
Apresentador: Agradeço a sua disponibilidade e amabilidade mas não é possível…
Outro: Deixa lá o homem cantar ó marreco!
Ainda outro: És mesmo um troglodita ó esticadinho do caraças!…
Todo o público: Canta, canta, canta!…
Apresentador: Mas?!… Pronto, está bem, se é só um fadinho… não vai ser por isso…
Outro: Clap,Clap,Clap! À ganda mano! Salta lá pró palanque ó boca linda!
Apresentador: Calma, calma! Deixem-me acabar; Como estava dizendo, depois do fadinho que o nosso amigo…como se chama?
Espectador: Fegnando Seaga, Pgesidente da Câmaga de Sintga!
Apresentador: Não me diga?!… Mil perdões, não estava a reconhecê-lo!…
Público:Uuuuhhh!!! Lambe botas…lacaio…sabujo!…
Apresentador: Perdão, não é isso que estão a pensar! É que aqui o nosso amigo Seara é marido da outra figura pública que vem preencher a segunda parte do espectáculo…
Outro: O quê?! a Judite também canta?! Ai ela canta nas horas vagas?…À fadista!
Apresentador: Se ela canta ou não…não faço a mais pequena ideia; Ela hoje vem aqui não com a finalidade de cantar mas sim de moderar o espectáculo que vai seguir-se: Os cinco principais candidatos à presidência da república vêm ao Solar da Rosa, não para falarem de política que disso já estamos todos esclarecidos, mas sim para participar num tipo de entrevista/concurso, ou seja, vai-se tentar dar a perceber aos eleitores o grau de cultura de cada um deles.
Um: Deve sair daí uma coisa esperta, eh,eh,eh!
Outro: Esses gajos são uns broncos pá!
Ainda outro: Fixe! Acho que vale a pena ouvir as bacoradas que vão sair dali, ah,ah,ah! Começa lá então a merda do espectáculo ó tinhoso!
Apresentador: Ora bem, então chamo o senhor Seara para cantar o tal fadinho. Como de costume, à guitarra temos o Almeida Santos, à viola o avô Jerónimo – que depois vai participar na entrevista/concurso-, no baixo o Marques Mendes e no contrabaixo a Anã Drogas-te.
Senhoras e senhoras o espectáculo vai começar!
Público: Clap,clap,clap! Força aí ó meu, dá-lhe com sentimento!
Seara: Meus senhogues e minhas senhogas, vou integpgetag um fadinho com letga da minha autoguia e com a música conhecida do Albegto Guibeigo; Chama-se: Seg Benfiquista!
( ouvem-se os acordes instrumentais e entra o fadista )
Seg benfiquista
é seg bom chefe de família
é seg baiguista
anti-lagagto e anti-Portista

Se pegde o gloguioso
fico bgavo e gasgo o fato
malho no cão que é um gôzo
e togço o gabo ao gato!

Sou do Benfiiiiiiicaaaa!!!!

Público: Bravo, bravo, ganda lampião! Seara, Seara, Seara!
Apresentador: Obrigado a todos e ainda bem que gostaram. Vamos então agora passar à segunda parte do programa desta noite. Aqui o avô Jerónimo vai meter a viola no saco e ocupar o lugar ali na mesa, onde já estão, como podem ver, já se encontram os restantes convidados e a nossa simpática moderadora.
Público: Força Juditinha, aperta com eles, faz-nos rir à vara larga!… Faz-lhes perguntas difíceis que vais ver a figura de urso que eles fazem!
Judite: Meus senhodes e minhas senhodas, senhodes candidatos, vamos lá então começade: Em pdimeido lugade vou colocade uma adivinha a cada candidato. Vou começade pelo mais velhinho de todos, o doutode Mádio Soades; Doutode desponda:
-Qual é o animal que come com o dabo?
Soares: Com o nabo?!
Judite: Não, com o dabo!
Soares: Bem… que come com o nabo só conheço um, o Paulo Portas!
Público: Eh,eh,eh!…Uhau!…Este velhadas é o máximo, eh,eh,eh!
Judite: Doutode, eu disse com o dabo!…
Um: Com o rabo o tótó!
Soares: Bem… desculpem… com o rabo… não conheço nenhum!
Judite: Doutode Jedónimo?
Jerónimo: Eu não sou doutor, sou serralheiro mecânico;… Com o rabo… não estou a ver!…
Judite: Doutode Cavaco, sabe?
Cavaco: Não tou a ver que o “pogresso” tenha chegado tão longe!… não estou a ver…
Judite: Doutode Alegde?
Alegre: Não!… não estou a ver poema algum que…
Judite: Doutode Louçã?
Louçã: Se alguém come no rabo está no seu pleno direito; Aliás, nós somos pela igualdade e pelos direitos gay…
Um: Ó calhau, não é “NO” é COM!
Louçã: Ai desculpem!… Com o…Não, não estou a topar…
Judite: Público, alguém sabe?
Outro: São todos!…
Geral: Todos?!
Outro: Claro, seus ignorantes da treta! Já viram algum animal que tire o rabo para comer?
Judite: Acedtou! Muito bem!
Público: À ganda Zé Marmita, um a zero ganha o povo!
Judite: Segunda pedgunta: Doutode Soades:
-Quando o senhode está deitado na cama o que é que tem debaixo dela?
Soares: O penico!
Judite: Edado! Um pad de chinelos!
Doutode Jedónimo:
-Quando a sua esposa se deita a seguide a si, o que é que está debaixo da cama?
Jerónimo: O penico e o Capital de Carl Marx; leio sempre um bocadinho todos os dias!
Judite: Edado! Dois pades de chinelos!
Doutode Cavaco: Bdanco é, galinha o põe?
Cavaco: Três pares de chinelos!
Público: Ah,ah,ah,ah,ah!…
Um: Ai que já não me ria assim desde que morreu a minha sogra, ah,ah,ah,ah,ah!
Judite: Edado! É um ovo!
Doutode Alegde:
-Vedde foi meu nascimento e de luto me vesti?
Alegre: Verde?!…Verde?!… Será o Cesário?… Já nasceu Verde e pode ter-lhe morrido alguém…
Judite: Edado! Doutode Louçã?
Louçã: Será uma frase do Dias da Cunha quando o Sporting aqui há uns anos andou a passear um caixão em Alvalade contra o luto da arbitragem?
Judite: Edado!…
Um: Estes camelos são mais broncos que uma rocha do paleolítico!.., É a azeitona ó meu perú vaidoso da treta!…
Judite: Acedtou! Dois a zedo pada o povo! Tedceida pedgunta:…
Público em geral: Não há mais nada para ninguém, fora, uuuuhhhh!!! Chega de ignorância barata!…UuuuHHH!!!

(Começam a voar copos, garrafas, cadeiras, mesas… A Judite leva com uma omeleta de presunto e cogumelos da Beira no alto do toutiço… )

Seara: Ai a minha mulhgzinha! Pagem com isso! Nela só malho eu quando pegde o glogioso!

( Leva com uma garrafa de Colares em cheio na testa e cai para o lado. Entra a polícia de choque e vaza a casa à bastonada. Escondidos atrás das bambolinas, os candidatos, a Judite e o apresentador comentam: )

Soares: Você é que tem a culpa disto!
Judite: Eu?!
Cavaco: Sim você! Fazer logo perguntas com aquele grau de dificuldade sem sequer sabermos o “pograma”!…
Judite: Mas…
Jerónimo: Está bem que o fervor revolucionário faz parte da génese do povo…
Louçã: Cala-te lá ó velho Stalinista!… Qual génese revolucionária qual carapuça!… A polícia é que é uma fera sanguinária!…
Alegre: Vou escrever uma ode: “Da Estrada de Sintra a Colares, garrafas e cadeiras cantam a canção da guerra”!…
Apresentador: Toca a andar daqui para fora antes que eu me passa dos carretos, seus periquitos da Papua!… Eu já sabia que esta merda ia acontecer, eu já sabia!… Mas quem me mandou a mim?… Fora!…XÔ!
Ó Gonçalves, ó meu querido contabilista, telefona aí para a Moviflôr e para o Brás & Brás e vê lá se ainda temos crédito; Pôrra é sempre a mesma merda de final de espectáculo


No Solar da Rosa (4)

Novembro 10, 2005

novembro 10, 2005
* No Solar da Rosa
O SOLAR DA ROSA

Nesta tasquinha bizarra
de ambiente bem sadio
ao doce som da guitarra
canta-se o fado vadio

***** ***** ***** *****
Apresentador:Boa noite senhoras e senhores, respeitável público. É com o prazer do costume que vos voltamos a dizer: SEJAM BEM VINDOS AO SOLAR DA ROSA…
(Palmas do público)
… Hoje temos o grato prazer de anunciar uma inovação de estilo, a qual penso vir a bar brado…
Um do público: Mau! Quando vocês, os da rosa, se põem com invenções…
Outro:…Geralmente dá merdum!
(Risada geral na plateia)
Outro ainda: Nada de invenções ó professor Pardal, fado é fado com guitarra, viola e fadista, portanto vê lá o que é que vais arranjar!
Apresentador:Tenham calma! Longe de mim vir para aqui desvirtuar a canção nacional!…
Outro: Era só o que faltava!… Mas então desembucha lá ó meia-leca!
Apresentador: Bem… Vão ver que vão adorar. O que eu vos queria dizer é que esta noite vamos ter não um, mas vários fadistas a cantar em uníssono o mesmo fado, ou seja: UM CÔRO!
Outro: Fado em côro?!…Mas que raio de merda é essa?!…
Outro ainda: Não queremos essa trampa ó camelo! Fado é fado e fadistas um de cada vez. No máximo dois, para cantos à desgarrada!…
Ainda outro: Nunca se viu tal coisa ó morcão! Um fado cantado por um coral tipo Ceifeiros de Pias?!
Plateia:Eh,eh,eh,eh!…
Apresentador:(já muito aflito)Calma por favor! E que tal ouvirmos primeiro e pronunciarmo-nos depois?
Um do público: Tá bem ó esticadinho da silva, mas se o espectáculo for uma bosta não vai ficar tábua sobre tábua desta espelunca, ficas desde já avisado!
Toda a plateia:Apoiado!Apoiado!
Apresentador: Pois eu estou plenamente convencido que toda a gente vai adorar o espectáculo e que no final ainda vão pedir bis!
Plateia: Vai-te fiando!… Começa lá essa merda que já chega de conversa!
Apresentador: Então lá vai: Senhoras e senhores, na minha e na vossa presença o grupo coral fadista dos AUTARCAS DE PORTUGAL!
Plateia:O quê?! Ainda por cima é esta cáfila que vem cantar?! Uhuhuhuh!!!! Cambada!!! Chulos!!! Vigários!!! Filhos da P…! Corruptos!Uhuhuhuh!!!…
Apresentador: Então meus senhores? Sejam comedidos por favor! Este grupo de amigos vai interpretar para todos vós o fado “AFINAL ERA A MORAL”. A música é do Ti Alfredo ( Igual à da Rosa Maria da Rua do Capelão) e a letra é dum ferrabrás qualquer que eu não conheço de lado nenhum chamado Zecatelhado. Como sempre, teremos à guitarra o avô Almeida Santos e à viola o Tio-Avô Jerónimo de Sousa. No baixo o baixinho do Marques Mendes e no super-baixo ( não, não é um porta-chaves ) a Anã Droga. Por favor silêncio que se vai então cantar o fado!
(começam a ouvir-se os acordes da guitarra e das violas)
(entram cantando os fadistas)

Côro:Fizeram uma lei bizarra
para calar a’lgazarra
deram-lhe um ar moralista
mas nós velhas ratazanas
como não somos bananas
não lhes baixamos a crista

Passeou de gaveta em gaveta
a funesta lei da treta
até final dos mandatos
numa alegre roda viva
foi andando a respectiva
de Herodes p’ra Pilatos

Logo a seguir a maralha
lá tomou posse na esgalha
toda feliz e contente
protocolo despachado
era o momento chegado
de ordenar ao Presidente

Mande agora publicar
a lei que nos quer lixar
que a gente não quer saber
porque a retroactividade
todos sabem que é verdade
aqui nunca vai valer…

Plateia em geral: Uhuhuhuhuh!!! Olha a lata destes cabrões, ainda a gozar o pagode!… Seus filhos de uma cadela debochada que vão ficar com os focinhos em papas!…
Vamos a eles! Vamos a eles!…
( Desatam todos a correr direito ao palco munidos de cadeiras, garrafas, guarda-chuvas e tudo o que haja à mão e faça mossa. Os autarcas fogem para os bastidores. Os músicos escondem-se debaixo das cadeiras onde estavam sentados. É a confusão total)
Apresentador: Meus senhores!…Meus senhores, civilidade!!!…
Um dos invasores do palco: Tu também vais chupar pela grande; Já estava prometido, portanto…TOMA!
( Enfia-lhe com uma cadeira pela cabeça abaixo e o pobre apresentador cai redondinho no chão. Chega a polícia de intervenção)
Chefe da Polícia: Mas que raio de cagaçal vem a ser este? Já chegámos a Paris ou quê?…
(virando-se para o batalhão)… Porrada nesses cabrões!
(Assiste-se a um autêntico festival de bordoada da grossa nos energúmenos que fogem porta-fora ou pelas janelas. Terminado o arraial a polícia retira-se)
(Escondidos num armário dos camarins, dois autarcas sussurram:)
Autarca 1: Pôrra! Nunca mais me meto noutra. Dou aqui por terminada a aventura de fadista nas horas vagas!
Autarca 2: Eu igualmente! Este povo é uma súcia de arruaceiros e de gente mal-formada. Se uma pessoa os engana e lhes mente descaradamente, é o maior e levam-no em ombros, mas se pelo contrário diz a verdade, ó da guarda…filho disto e daquilo… e ainda está sujeito a levar uns palmadões em cheio nas ventas!


No Solar da Rosa (3)

Setembro 25, 2005

setembro 25, 2005
* No Solar da Rosa
O SOLAR DA ROSA

Nesta tasquinha bizarra
de ambiente bem sadio
ao doce som da guitarra
canta-se o fado vadio

***** ***** ***** *****
Apresentador: Muito boa noite meus senhores e minhas senhoras, respeitável público. Bem vindos a mais uma sessão fadista na afamada casa “O Solar da Rosa”. Esta noite temos o grato prazer de anunciar a estreia mundial de uma nova estrela do fado; Senhores e senhoras, na minha e na vossa presença a senhora juíza do Tribunal de Felgueiras, senhora doutora Maria Gabriela, para interpretar o fado: “ANDAVA NO GAMANÇO A DESGRAÇADINHA” e que dedicará de corpo e alma a essa ilustre perseguida do holocausto dos políticos invejosos, doutora Fátinha de Felgueiras…

Parte do Público:Uhhh!….vai-te embora ó melga!…Uhhh!vendida!corrupta! subornada!…Uhhh!…

Outra parte do público:Clap!Clap!Clap! Viva! Viva a grande justiceira do povo! É assim mesmo! Dá-lhe com força, grande Joana D’Arc da Magistratura Tuga!… Clap!Clap!Clap!…

Apresentador: Meus senhores, por favor! Já vimos que a plateia está dividida mas sejamos democráticos! Em democracia toda a gente tem direito a expressar a sua opinião e vontade, e esta ilustre senhora, cidadã e fadista não pode ser excepção, por favor!…

Público afecto à fadista: Muito bem! Clap!Clap!Clap! deixem cantar a miúda, seus fascistas centristas laranjistas comunistas anti-democráticos!…

Público hostil: Uhhh! Vai-te embora ó vergonha da justiça! Uhhh!…

(Perante o clima escaldante que se gera na plateia – fadista já a chorar e tudo – saltam para o palco dois dos gerentes do Solar da Rosa, mais precisamente Jorge Coelho e António Victorino )

Jorge Coelho: Mas que raio de merda é esta, ãh?… Pois meus senhores, que raio de merda é esta?… Onde é que está o espírito democrático do povo português, ãh?…

António Victorino: Ora toca lá a calar o trombone, cambada de ordinários! Isto realmente… cada povo tem o que merece! Cambada de ordinários, pá! Os portugueses são pessoal das barracas e nunca o deixarão de ser, por mais que disfarcem!…

Público hostil: Cala-te mas é tu ó meu João Feijão da treta! Também nos saís-te um bom trapalhão, meu caga-rente ao chão do caraças!…Uhhh!Uhhh!

Público afecto: Canta! Canta! Canta!…

Público hostil: Não canta! Não canta! Não canta!…

(Perante o cenário eminente de confronto entre as claques e o fiasco dos apaziguadores que só deitaram mais gasolina para a fogueira, o apresentador joga a última cartada)

Apresentador: Calma! Calma! Meus senhores, não vêem que a ilustre fadista é a única artista que temos hoje para cantar? Se ela não o puder fazer não há espectáculo, e vocês pagaram – e bem – para aqui estar!

Público hostil: Não canta! Não canta!… Queremos o nosso dinheiro de volta já!

Apresentador: O dinheiro de volta?!… Não pode ser!…

Público hostil:Gatuno, gatuno, gatuno!…

( Voa uma garrafa de “Porca de Murça” tinto direita ao palco e acerta em cheio na testa do apresentador que cai redondinho. É a faísca que despoleta a tempestade. Após alguns minutos largos de pontapés, chapadas, cadeiradas e garrafadas, entra a polícia de choque e prende todos os que ainda estão de pé.
Após o silêncio que se segue, uma figurinha minúscula sai de trás da bambolina da esquerda-baixa onde se tinha escondido. É a viola-baixo, que se aproxima do pobre apresentador estendido no chão, inconsciente. Dá-lhe palmadinhas na cara tentando despertá-lo)

-Viola-Baixo( Que é nem mais nem menos que Maria de Belém Roseiro): Acorde homem de Deus!… Tchap,Tchap,Tchap! Acorde!…

( Aos poucos, baralhado, o homem vai despertando )

Apresentador: Ai a minha cabeça! Ai!… Mas o que é que aconteceu?! Quem é a senhora?!…Ai!… é alguma enfermeira, é?…

Maria de Belém: Enfermeira eu?! Ora essa!… Sou a Maria de Belém!…

Apresentador: Maria de Belém?!… Qual?!… a Nossa Senhora?!… Não me diga que estou no céu!…

Maria de Belém: Qual céu, qual Nossa Senhora, qual carapuça!… sou eu, a viola-baixo do Solar da Rosa!… Você levou uma garrafada no toutiço e ainda está meio chéché! Levante-se lá devagarinho que tem que ir ao hospital levar uns pontos na testa. Tem aí um lindo lenho!

Apresentador: Ai!… Já me lembro de tudo!… Filhos de uma cadela, o que fazem passar a um desgraçado que só está aqui a ganhar o pãozinho de cada dia!… Bandidos!… E a miúda?…Onde está a miúda?

Maria de Belém: Quanto a isso esteja descansado, não há problema algum com ela. Ouvi-a ao fugir para os bastidores, dizendo alto e bom som que ia tratar de passar mandatos de prisão preventiva sem recurso a todos os arruaceiros. Vai ver como esses energúmenos vão aprender de vez como se faz justiça em Portugal.


No Solar da Rosa (2)

Julho 22, 2005

julho 22, 2005
* O Solar da Rosa
O SOLAR DA ROSA

Nesta tasquinha bizarra
de ambiente bem sadio
ao doce som da guitarra
canta-se o fado vadio

***** ***** ***** *****

– Meus senhores, minhas senhoras, estimado público aqui presente:
Vai ser inaugurado oficialmente dentro de momentos, pelo gerente máximo desta casa, o senhor engenheiro José Fócrates, Grão-Mestre da Loja Rosa, este espaço que se pretende de todos: Rosas, laranjas, vermelhos, azuis, verdes e côr-de-burro-quando-foge, e todas as demais cores que possam algum dia vir a sentar a “panela” no Parlamento.
Pretende-se que, recorrendo à forma mais original de ser português, que é o fado, venham aqui ilustres representantes parlamentares explicar aos portugueses em linguagem que eles entendam – cagando pura e simplesmente no políticamente correto -quais são os reais problemas com que se debatem as diversas Lojas, e, repito, que melhor linguagem senão aquela que o povo luso herdou geneticamente e que se chama FADO?
Mas… não me vou alongar mais e passo de imediato a palavra ao nosso Grão-Mestre e Gerente Máximo desta tasca, o senhor Engenheiro Fócrates.

( aplausos )

– Portugueses!…
– Ó senhor engenheiro, não se esqueça que aqui não se fazem discursos…
– Ai! desculpem lá! esqueci-me desse pormenor…

( risos na sala )

– …Senhores e senhoras, estimável público…

( Úhuhuhuhuhuhuh… já ouvimos! )

– … Pronto…bem… então está tudo dito. … Divirtam-se!

( aplausos )( volta o apresentador )
– Meus senhores, minhas senhoras…

( outra vez? Uhuhuhuh… )
– Bem… tenho então a honra e o prazer de anunciar o primeiro convidado desta noite. Senhores e Senhoras, na minha e na vossa presença o Grão-Mestre da Loja Vermelha, o senhor camarada Jeronimoniev de Sousisky!

( aplausos )

– Camaradas!…

( algumas vozes: Uhuhuhuhu.. )
– …Amigos!…

( aplausos )

É com muita honra e prazer que equi estou; Os camar… da Bombardier(!?)…

( Uhuhuhuhu.. )

– …desculpem lá, eh,eh,eh! troquei os discursos… Bem: O nosso maior problema lá na Loja é a falta de irmãos activos. O trabalho está todo atrasado e a malta está pelo pescoço com trabalho atrasado. Este pessoal de agora já não é como o de antigamente, que fazia tudo por amor à camisola( ou seja: à causa ). Agora faz-se tudo a troco de dinheiro ou géneros e portanto a malta está tramada. Eu vou dar-vos um exemplo: Para arranjar-mos pessoal para colar os últimos mil cartazes que mandámos imprimir, tivemos que fazer uma parceria com a telecel que nos forneceu cinquenta télélés para os marmanjos da cola. O preço da brincadeira (a tal parceria) foi colocar no cartaz o nome do parceiro. Agora vejam bem como ficou a merda do cartaz:

A LOJA VERMELHA APOIA O PROTESTO DOS PORTUGUESES

CONTRA AS ESCUTAS TELEFÓNICAS

Éste cartaz tem o patrocínio da Telecel

( risada geral na sala )

… Agora, vejam bem a tristeza disto! Um outro problema, e esse é o principal, é a fuga constante de irmãos para outras Lojas e os que não dão à sola já são mais cotas que o Matusalém, sem força para o balde, o pincel e os cartazes! Estão a ver a cena? Pois sobre esses problemas todos, fiz aqui um faduncho baseado no nosso glorioso hino, que o camarada-irmão Manuel Aziago escreveu antes de ir fazer companhia ao Lénine no paraíso socialista e o camarada-irmão José Barata Morta compôs. Chama-se: “HÁ VINTE CAMARADAS!
( Aplausos )

Há vinte camaradas há vinte
é tudo o que nos restou
há vinte camaradas há vinte camaradas }Refrão
o resto deu à sola ou já lerpou

A Zita quiz a laranja
O Magalhães virou rosa
O Brito ficou sem côr
e diz-se um reformador
mas ninguém lhe entende a prosa

Refrão

Remato ainda dizendo
p’ra terminar o fadinho
que com tanta deserção
por óbito ou por traição
ainda fico aqui sozinho

Refrão

( Aplausos vibrantes:”Àh! boca linda! Àh! Fadista!” )

– Obrigado, obrigado…

( sai de cena )

-E pronto, meus amigos: Terminou por hoje a primeira sessão das noites fadistas
do “Solar da Rosa”. Para a semana teremos um convidado neste palco vindo de uma outra Loja. Posso abrir só um bocadinho a bambolina para vos espicaçar a curiosidade. As cores da Loja são…. O côr-de-burro-quando-foge”…

( ahhhhhh!!!! )

– … Não adivinharam?… não posso adiantar mais nada. Vão pensando nisso e estejam aqui de hoje a oito dias.
Muito boa noite a todos e fiquem na paz dos anjos. Obrigado!

FIM