Lá Vem a Nau Catrineta (49 a 51)

Agosto 27, 2005

agosto 22, 2005

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p’ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr’à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p’lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P’ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?…D. Lacão
É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Agosto estava um braseiro
ia a Nau a meio-gás
sentadinho lá atrás
junto ao varandim da ré
dormitava D. José
esperando por um ventinho
p’ra refrescar o focinho
mas de vento…nem o cheiro!

A canícula ia brava
a Nau estava sequiosa
desde o despontar da Rosa
nem uma gota caíra
seca assim nunca se vira
já se falava em ração
calculem vocês então
quanta angústia ali morava

“Vigia, espreita outra vez
antes que me afogue em mágoa
não vês nuvens prenhes de água
nalgum ponto do horizonte?…”
“P’ra onde quer que eu aponte
só vejo azul, Capitão
nem com o Porto campeão
vi tanto azul de uma vez!”

“Meu santinho padroeiro
que o Céu tenha piedade
vou encarar a verdade
vamos morrer de secura
é que se esta merda dura
pelo menos mais um mês
é chegada a nossa vez
vamos todos prá “galheiro”!

Cheiro tão mal como tu
um fedor acre e picante
tenho a pele qual elefante
e mais sal que uma sardinha
ao menos uma chuvinha
tipo “mijinha de cão”
sempre molhava o sabão
e a malta lavava o cú!”

“Sei que vou dizer asneiras
pois sou burro e mal sei ler
homem do povo, está a ver?
e tenho pouca instrução
faz-me muita confusão
ver tanto douto afirmar
que a água está a’cabar
nas barragens e albufeiras!…”

“Que raio?!…o quê?!…repete!
que estás p’ráí a dizer?!…”
“Que não consigo entender
razão p’ra tanto alarido
nem porque andais constrangido
por não lavar o traseiro
só se faltar o dinheiro
p’rá compra do sabonete!…”

“Tadinho, pirou de vez!
-Dá baixa à enfermaria!-
é isso: O sol do meio-dia
já começa a fazer mossa
a coisa já está mais grossa
que aquilo que calculei!…”
“Calma Senhor, que ainda sei
distiguir a mú da rêz!

Eu só queria perguntar
para poder entender
porque está tudo a gemer
se daqui estou a’vistar
gente na calma a regar
campos de golfe sem fim
vasos, flores e jardim
cagando-se p’ró poupar!

E os campinhos da bola
regados o dia inteiro?
e os nababos com dinheiro
enchendo a sua piscina?
então se isto desatina
com a tal dita campanha
a mim cheira-me a patranha
essa lamúria parola!

Agarrai no sabonete
no shampô e na esponginha
e enchei a banheirinha
da água q’uinda restar
e trate lá de lavar
o cuzinho e os tomates
parando com os disparates
e arrumando a cassete!”

“Ah,ah,ah!…-riu um marmelo
que se juntara a ouvir-
ò Capitão, podeis ir
já lhe enchemos a banheira
como a puta da torneira
estava seca como a palha
vai daí, esta maralha
encheu-a de Água Castelo!

agosto 16, 2005

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p’ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr’à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p’lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P’ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?…D. Lacão
É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Estando a Nau dos desditosos
quase vendida a Caronte
D. José Subiu à ponte
quando o dia despontava
com a destra segurava
uma cerveja fresquinha
com a esquerda uma “mão cheiínha”
de tremoços mal-cheirosos

“Pôrra, estamos na sarjeta
nem há pilim p’ró tremoço
estou à toa neste poço
ao qual não avisto o fim
sei o que vai ser de mim
se a descida continua
o povo põe-me na rua
e “good bye” Catrineta!

Vigia deste barquinho
que novas tens p’ra me dar?
precisamos animar
a gente que aqui navega
a sorte tem sido cega
mas talvez seu fim se augure
“não há mal que sempre dure”
já lá diz o Zé Povinho!”

“Está a causar grande impacto
uma coisa de pasmar
gente da Rosa a clamar
o regresso do lendário
e cavernoso D. Mário
ao nobre trono real
só que o consenso total
está longe de ser um facto

É que igualmente à partida
se perfilou D. Manuel
o tal “poeta chanell”
figura bem conhecida
anda a Rosa dividida
entre estes dois candidatos
vai virar “saco de gatos”
aposto eu a minha vida

Também a Casa Laranja
sem esperar p’la demora
fez apresentar na hora
o seu candidato a Rei
e por aquilo que sei
anda tudo convencido
que será ele o escolhido
que a vitória vai ser canja!

Na Casa Vermelha vejo
fazerem contas à vida
são como “rata sabida”
muito velha e tarimbada
para já fica parada
à espera da procissão
depois vê se põe ou não
um santinho no cortejo!”

“Então e os azulados?
e os da casa de Leon?”
“Os azuis seguem o “Dom”
que a Laranja quer ver Rei
quanto aos de Leon já sei
porque não nasci otário
vão apoiar o D. Mário
fingindo-se contrariados

Está visto assim que afinal
com mais ou menos intruso
tal como a água do Luso
tudo está mui clarinho
teremos D. Cavaquinho
e D. Mário a disputar
quem o cú irá sentar
no trono de Portugal!”

“Quero a tua promoção
de vigia a Conselheiro
o teu palpite é certeiro
e vais directo ao assunto!…”
“Promovei-me antes a adjunto
já que vos caí em graça
isso sim, é ganhar massa
tanto ou mais que o Capitão!”

Assim farei, mas primeiro
tens ainda que opinar:
o que é que se vai passar
no decorrer da campanha?
que tipo de frase ou senha
as gentes do Cavaquinho
e as do nosso avô Márinho
vão usar na propaganda?”

“É fácil de adivinhar
(já cá canta o meu tachinho)
quanto aos de D. Cavaquinho
vão usar este chavão:
TUDO A BEM DA NAÇÃO
SIEG HEIL! D. CAVACO
P’RA NOS TIRAR DO BURACO
ONDE ESTAMOS A HIBERNAR!

D. Mário talvez se lixe
porque a Casa de Leon
(duvido é que seja bom)
quer deixar a sua marca
se a Casa da Rosa embarca
no célebre “SOARES É FIXE”
vai ter que acrescentar
BEBE VINHO E FUMA HAXIXE!!!

agosto 15, 2005

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p’ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr’à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p’lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P’ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?…D. Lacão
É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Neste Ano Santo da Graça
aos vinte do mês de Julho
estando o país ao barulho
outra vez com tudo a arder
por ninguém querer entender
porque acontece esta praga
um’outra história aziaga
ombreou com tal desgraça

Pairava grande ameaça
com a escassez do pilim
muita gente chama assim
àquilo que compra o pão
o tintol e o sabão
o azeite, o bacalhau
a pimenta, o colorau
e sem o qual minguém passa

Valentes homens de raça
os marinheiros da Nau
sabendo tudo tão mau
no que à “guita” diz respeito
aguentavam de peito
o infortúnio e a desdita
fruto da corja maldita
com mestrado na trapaça

Esse bando que esvoaça
qual abutre rapineiro
quando lhe cheira a dinheiro
mergulha em voo picado
e nunca está saciado
do seu voraz apetite
d’uma avidez sem limite
é composta a sua massa

Fôra tão grande a devassa
pela qual a Nau passou
que pouco ou nada sobrou
do ataque do tal bando
e a malta agora amargando
esse fartar-vilanagem
suportava com coragem
a má vida na barcaça

Mas quando a má-sorte abraça
atrás de uma outra vem
e nesse dia também
o ditado se cumpriu
um grande grito se ouviu
o célebre “homem ao mar!”
alguém ousara pular
sentido o fundo a uma braça

“Agarrem-me essa carcaça
que daqui ninguém se pira
olha que coisa tão gira
era só o que faltava
ou repartimos a fava
deste bolo nauseabundo
ou vamos todos ao fundo
gente bem e populaça!

Juro, não sei que faça
a este traidor de um raio
vai levar um tal “ensaio”
de chibata nos costados
que ficarão bem marcados
p’ra nunca mais se esquecer
que a quem se quer escafeder
declaro aberta a caça!

Olha quem é a fataça!
D. Cunha?! Não posso crer!
diga, que quero entender
porque quis “dar o cavanço”
mas vós julgais que eu sou tanso
ou que o vigia é zarolho
cego, com algum terçolho
ou pifado de cachaça?

Diz lá ó alma vivaça!..”
“D. José, por piedade!
juro dizer a verdade
não me mandeis açoitar!”
“Então começa a cantar!”
“Eu só quis dar à soleta
saltando da Catrineta
como a osga salta à traça…

Somente por quão madrassa
foi p’ra mim a triste sorte
só sendo um doido de morte
ou um bombista suicida
aceitaria na vida
trabalho a perder dinheiro
eu também não sou bombeiro
nem chanfrado da “cabaça”…

Pensei: Que se lixe a taça
vou mas é desopilar!
então se posso ganhar
mais com as reformas que tenho
ando a chorar baba e ranho
sofrendo a tola em acção
ataques de comichão
quais picadas de carraça?”…

“Ergamos na primeira praça
uma estátua a este santo
ou mesmo uma em cada canto
para ser mais comovente
anda p’raí tanta gente
tendo pensões de velhice
que s’este exemplo seguisse
p’rá malta era uma panaça!”

” Quem é que assim testemunha?”
-interrogou D. José-
“Eu!” que estou aqui de pé…
-disse um marujo jingão-
e a turba juntou-se então
ao camarada jocoso
e em uníssono, no gôzo
bradou: Á “G’ANDA” CUNHA!


Lá Vem a Nau Catrineta (47 e 48)

Maio 1, 2005

Maio – 22 – 2005

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p’ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr’à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p’lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P’ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?…D. Lacão
É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar
Bem cedo ao romper do dia
D. José se preparava
para ver se descobria
em que águas navegava
o Norte havia perdido
ia ver se o encontrava
estava pronto e decidido
a’char o que procurava

“Doce barquinha d’El-Rei
confesso do coração
juro por Deus que não sei
se é Norte ou Meridião
este mar onde navegas
sendo eu teu Capitão
tenho-te levado às cegas
sem saber a direcção

Prometi à marujada
que ia levar-te a bom porto
meti mãos à empreitada
logo a seguir ao aborto
que foi o D. Santanás
Capitão que nasceu torto
D. Burrão foi mais sagaz
fugiu antes de ser morto

Como te disse há bocado
confesso que ando à toa
bastante desnorteado
desde que deixei Lisboa
sentindo o vento zarpei
vaidoso postei-me à proa
como um príncipe sonhei
vir um dia a herdar a coroa

Mas quando os ventos cruzaram
soprando sem piedade
logo os sonhos se esfumaram
perante a realidade
dura esta em que nós’tamos
sem rumo força ou vontade
já perdidos navegamos
ai!… como é dura a verdade”

E assim gemia dolente
o Capitão D. José
olhando o mar tristemente
desde a pôpa até à ré
viu o aperto em que havia
metido toda a ralé
e a solução que não via
nem ao longe nem ao pé

“Espera aí!… que fizeram
esses bravos de “quinhentos”?
não lutaram e venceram
mares, marés, vagas e ventos?
Ora…lembra-te lá Zé
onde estão os instrumentos
que compras-te àquele monhé
numa loja dos trezentos?

Ah!… estão aqui na sacola
onde mais podiam estar?
Vamos ver se o mestre-escola
era bom a ensinar
teso e duro, pele tisnada
porque era um homem do mar
cada frase uma asneirada
que me fazia corar

Ora aqui está o sextante
vamos medir a’ltitude
que leva o sol neste instante
e aí está a longitude
e a latitude o que dá?
vamos calcular agora
depois…cruzar… e aí está
onde andamos nesta hora

Alvíssaras! Boas Novas!
acabou o triste fado
ó marujos, eis as provas
que o Norte foi encontrado
e se não creis no que falo
esperai só mais um bocado
antes do cantar do galo
estará o Cabo alcançado”

“Mas de que Cabo falais?
Capitão nosso Senhor??…”
“Ora… desse que pensais
o tal Cabo Bojador
onde um tal Bartolomeu
homem de grande valor
em noite negra de breu
enfrentou o Adamastor!”

“Quem me chama? Quem vem lá?”
– disse uma voz cavernosa –
“Olha! O jajo ainda cá está!
Ó criatura odiosa!
Salta do leme marujo
que a história é velha e famosa
vais ver esse porco-sujo
a tremer perante a Rosa”

Tomando o leme de peito
aberto à confrontação
colocou a Nau à jeito
proa virada p’rá acção
“Podes começar a cena
ó monstro da perdição
a peça até é pequena
e eu conheço o guião”

“Mas quem fala? Quem és tu?
que a história diz conhecer?”
” Ó calhau de Belzebú
então não me estás a ver?
sou D. José, o da Rosa
já estás a perceber?
filho da Pátria ditosa
que um dia te fez tremer”

“Ah! então és da terrinha
de um tal D. João segundo
esse com o qual me entretinha
a meter as Naus no fundo?
mas por ele até nutria
um respeito mui profundo
de modo que certo dia
o deixei descobrir mundo

Agora pelo que sei
reina um tal D. Cenourinha
que já nem sequer é Rei
nem a consorte Raínha
e de ti, pantomineiro
fez Capitão da barquinha
tu és tanto marinheiro
como o salmão é taínha

Estavas à espera de quê?
meu marujinho da treta?
era certo, já se vê
que a coisa virasse preta
quem marinheiro se arroga
e nunca viu uma alheta
não comanda uma piroga
quanto mais a Catrineta

Rebobino aqui a fita
volto p’rá minha caverna
um “T zero” mais catita
que essa contrução moderna
largue o leme, homem de Deus
que a Nau que você governa
presa a esses dedos seus
terá perdição eterna”

Dito isto o Adamastor
chiou três vezes baixinho
mais três vezes em redor
da Nau rodou de mansinho
e voou pelo escarpado
deixando a falar sozinho
um D. José derrotado
pelo calhau bem velhinho

“Com que então o ser arcano
que acagaçava a marinha
é um velhote bacano
mais manso que uma galinha…”
– era esta a opinião
de toda aquela maltinha
que assistira ao sermão
toda muito caladinha-

“…Capitão, largai o leme
da nobre Nau Catrineta
não vêdes como ela geme?
por favor dê à soleta
I’inda não viu que é um nabo
um Bartolomeu da treta?
Se insiste em dobrar o Cabo
pode crer q’inda se espeta!”

maio 01, 2005

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p’ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr’à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p’lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P’ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?…D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Andava a Nau navegando
com toda a calma do mundo
D. José ia apalpando
qual a distância do fundo
Porque a preocupação
que mais ocupava a mona
deste novo Capitão
era aguentar-se à tona

“Ó vigia, ó soldado
aí no cesto real
diz lá como vai o fado
no reino de Portugal…”
“Pelo que vejo, senhor
o país vai de carrinho
reza tudo com fervor
p’lo êxito do Mourinho…

…E até já dizem crer
que o espírito desta vez
que é santo, vai escolher
um papa que é português
Com dois Cardeais à unha
-diz o povinho em histeria-
nem que se meta uma cunha
à Santa Virgem Maria”

“Valha-me o Senhor Santíssimo
que o povo pirou por fim
como se os santos do Altíssimo
se corrompessem assim
Pois já perderam o tino
se pensam que Iavé
é igual ao Isaltino
ou ao Loureiro xé-xé!

E que mais vês tu marujo
do teu cestinho real?”
“vejo tudo muito sujo
no futebol nacional
da compra de prostitutas
para os quartos dos hoteis
às arbitragens corruptas
a troco de cinco reis

E clubes a comprar
jogos em local diferente
de onde deviam jogar
vale tudo minha gente
P’ranimar este bordel
tendo fé no que se diz
até o Penafiel
vai ter um estádio em Paris”

“Que se lixe o futebol
que com isso posso eu bem
quero é contas de outro rol
de S. Bento, de Belém…”
“Sobre isso meu Capitão
nada de novo no saco
ainda não há sim ou não
da parte de D. Cavaco

D. Santanás foi proscrito
D. Isaltino igualmente
é danado o pequenito
que o PPD pôs à frente
Já parece o Zé Stalin
a purga já levou dois
vamos lá ver qual o fim
deste filme de cowbois

“No castelo dos centristas
foi eleito D. Ribeiro
devagar, sem dar nas vistas
é o novo timoneiro
D. Telmo, tal como o santo
seu homónimo, coitadinho
ardeu perdido num canto
qual fogacho mijadinho

Há ainda a novidade
na Câmara da Capital
a esquerda desta cidade
deu à’liança um final
O Carrilho veio à tona
mas p’ra dizer a verdade
quem se ri é o Carmona
que vai ganhar à vontade”

“Salta daí marujinho
já tenho a cabeça à nora
vamos lá ao almocinho
porque já é uma hora
Vamos encher a barriga
que com ela aconchegada
pode ser que se consiga
resolver tanta embrulhada

Aqui p’ra nós amigão
que ninguém nos pode ouvir
tendo esta oposição
logo a seguir vou dormir
Os deuses nos acompanham
os postos estão garantidos
enquanto os gatos se arranham
nos sacos que estão metidos


Lá Vem a Nau Catrineta (45 e 46)

Abril 20, 2005

abril 20, 2005

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p’ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr’à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p’lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P’ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?…D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Ia a Nau de vento em popa
e D. José almoçava
uma posta de garopa
que com azeite regava
O resto da sua gente
assava a bela sardinha
acompanhada igualmente
com a dita batatinha

Estava um dia assaz bonito
o sol brilhava feliz
o mar-chão muito quietito
quando falou D. Assis:
“Sobe à gávea ó vigia
vê se alguém quer perturbar
a quietude do dia
e o nosso almoço estragar”

“Nada vejo senhor meu
só um iate à distância
ali junto ao mar Egeu
não terá grande importância
Vejo dois homens deitados
a tisnar a pele ao sol
serão gregos abastados,
é gente com carcanhol”

“É só isso bom vigia
que avistas de certeza?
se assim é, porque é meio-dia
desce e vai sentar-te à mesa”
“Talvez o que vou dizer
ainda nosso almoço empate
sabeis quem vêm a ser
os marmelos do iate?”

“Mau Maria, mau maria!
-diz D. José chateado-
já tenho a garoupa fria,
posso almoçar descansado?
Diz lá depressa quem são
afinal esses marmelos
que estão a pôr em questão
a temperatura dos grelos”

“Não são dois, meu capitão
gregos há apenas um
o outro é D. Burrão
esse cabeça de atum”
“D. Burrão?! Que disparate!…
pode lá ser esse abrolho?
sofreste uma insolação
ou então já estás zarolho

Desce já, meu papa-açorda
sobe tu, meu bom Assis
agarra-te bem à corda
não vás quebrar o nariz
D. Costa, o dever chama
põe-me o rádio já em escuta
quero saber o que trama
esse filho da… cicuta”

E assim se passou o dia
D. Assis d’óculo na mão
espiava o que podia
informando o Capitão
D. Costa por sua vez
escutava e traduzia
de inglês p’ra português
tudo o que lá se dizia

Após horas de espianço
qual CIA ou KGB
D. Assis toma balanço
descendo p’lo póprio pé
D. Costa pára cansado
já nada há p’ra escutar
dobra as folhas com cuidado
está na hora do jantar

“-Meu Capitão bem amado
-diz D. Assis com olheiras-
podeis estar descansado
qual abade entre freiras
afinal o D. Burroso
só é o que sempre foi
um perú grande e vaidoso
pachorrento como um boi

Anda a fazer umas férias
com um helénico amigo
a mais as suas galdérias
e portanto não há perigo
Não vi nada de anormal
só pança estendida ao sol
um ou outro bacanal
por debaixo do lençol”

“No que à escuta diz respeito
-atalhou D. Costa então –
não há nada de suspeito
tudo normal, Capitão
entre risos e gemidos,
que é no que dão estas coisas,
e uns pratos bem servidos
nas mais finíssimas loiças”

“E perdemos nós o dia
e um almoço que era um gôzo
porque o parvo do vigia
descobriu o D. Burroso
Lá se foi a garoupinha
as batatas e os grelinho
e mais a vossa sardinha
bem regada com tintinho

Ó cozinheiro da Nau
amanhã p’ró almocinho
vais preparar bacalhau
asa branca bem grossinho
volta a cozer os grelinhos
e as batatinhas ao lado
e p’ra fechar uns copinhos
de um tintol bem encorpado

abril 09, 2005

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p’ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr’à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p’lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P’ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?…D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Andava a Nau bolinando
junto à Cova do Vapor
a tarde estava acabando
já o sol se estava a pôr
“Ó santíssima acalmia!”
-exclamava D. José-
nem uma agulha bulia
desde a pôpa até à ré

“E como se chama então
este deleitoso estado?”
-perguntou o Capitão
ao marujo ali ao lado
” A este estado dolente
de calmaria bacana
chamam-lhe lá p’ró Oriente
o estado de Nirvana”

“Qual Nirvana, que pensais?
isto aqui é Ocidente
temos dos Orientais
uma cultura diferente
Cá não chamamos Nirvana
na rua, vilória ou praça
desde o Coura ao Guadiana
chamamos “estado de graça”

“Se o dizeis, Capitão meu
vós sois mais inteligente
só sei que está limpo o céu
e o vento mal se sente
A marujada está piana
a populaça calada
passou mais uma semana
sem acontecer mais nada…

A malta está mais contente
a tanga virou roupão
pobre é certo, mas diferente
da parra do pai Adão
Cobre o tronco, e a cintura
sem esquecer coxas e cú
dá p’ra esquecer a’margura
da gente se sentir nú

E com aquelas promessas
que o meu capitão fez
não tarda pedimos “meças”
a qualquer lord inglês
Hão-de andar os marinheiros
sem sequer olhar a custos
com fatinhos domingueiros
fabricados no Augustus!”

“Que é lá isso afinal?
calma lá, seu tagarelas
que eu não sou o Pai Natal
nem o bruxo de Odivelas
os duendes da magia
ou as varas de condão
são filhos da fantasia
ou da mais pura ilusão…

Pés na terra com firmeza
embora o sonho subsista
tenho ambição, com certeza
mas quero ser realista
Se durante este mandato
não gastarmos quais camelos
talvez compremos um fato
na feira de Carcavelos

E olaré! marinheiro
vai dar muito trabalhinho
para o baú ter dinheiro
p’ra compra do tal fatinho
Não restou nada no saco
não há dinheiro p’rá sopa
para o pão e p’ró tabaco
quanto mais p’ra comprar roupa”


Lá Vem a Nau Catrineta (40 a 44)

Março 31, 2005

março 31, 2005

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p’ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr’à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p’lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P’ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?…D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Havia já mais de um mês
que a Nau com estas figuras
tinha zarpado de vez
rumo a novas aventuras
Tinham ficado p’ra trás
os maus tempos, felizmente
os tempos de Santanás
que tanto mal fez à gente

Brilhava o sol radioso
num dia primaveril
que começara chuvoso
já anunciando Abril
quando esta história se deu
a qual aqui vou narrar
tal como ela aconteceu
assim, sem pôr nem tirar

Estando D. José à pôpa
olhando para o convés
reparou que que toda a roupa
da cabeça até aos pés
que a marinhagem vestia
dentro da barca real
estava gasta em demasia
e até rôta, por sinal

Chamai já o Mestre-Linha
ordenou a D. Alberto
que venha cá depressinha
que o caminho é bom e perto
quero saber o motivo
pelo qual as fatiotas
já parecem mais um crivo
estando assim todas tão rôtas!

Chamasteis-me Capitão?
chamei sim mestre alfaiate
posso saber a razão
de tão tosco disparate?
Já viste o que p’raí vai?
Qual disparate senhor?!
Não notasteis? pois olhai,
explicai-me lá, por favôr…

Porque andam os marinheiros
dessa forma desgraçada
tal qual uns pingonheiros
com a roupa toda rasgada!?
Era só o que faltava!
isto é barco de Corsário?
julgasteis que eu não topava
ou pensais que sou otário?

Por favor, meu Capitão
ó mui nobre senhor meu
ouvi agora a razão
porque tal aconteceu
Ninguém tem culpa, Jesus!
que os seus bravos marinheiros
andem rôtos, quase nús
mais parecendo pingonheiros…

O quê? Não há culpado?
que estais vós a afirmar?
por acaso haveis fumado
ou andais a snifar?
Então estes desgraçados
estão num estado que só visto
e depois não há culpados
de se ter chegado a isto?

Quer dizer, há culpado,
mas não é da Catrineta…
Já estou a ficar “passado”
ó mestre-linha da treta!
Explicai lá tudo, sim?
diga o que tem a dizer
tudo tim-tim por tim-tim
que é para eu entender

Ó meu Capitão amado
a culpa deste “caroço”
é do impasse criado
por defender o que é nosso
Há muito foi ordenado
concurso p’rá_quisição
do tal tecido indicado
para as roupas em questão

Só que os malditos chineses
também quiseram entrar
e os texteis portugueses
ficaram logo a berrar
E se o preço oriental
é mais baixo na contenda
que o preço de Portugal
a quem faço a encomenda?

Ora enquanto ia pensando
sem saber o que fazer
foi-se a roupa desgastando
até onde estais a ver
Se devo dar afinal
prioridade absoluta
ao que é feito em Portugal
como é que “descasco a fruta”?

Mestre-linha…muito bem
eu já vos entendo agora
mais: digo-vos que também
teria ficado à nora
Iremos então taxar
o paninho aos idiotas
para o podermos comprar
aos nossos compatriotas!

março 24, 2005

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p’ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr’à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p’lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P’ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?…D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Sobe à gávea sem demora
meu marujinho real
e diz-me aqui nesta hora
que se passa Portugal
Assenta bem a luneta
e abre-me esses radares
quero a descrição correta
de tudo o que lobrigares

-…Lobrigo meu capitão
muitas bandeiras vermelhas
e uma grande multidão
de gentes novas e velhas
dão vivas não sei a quem
são para aí seis milhões
vejo mas não ouço bem
qualquer coisa…campeões

Isso são os do Benfica
Já a fazer o “festum”
vendo o final da larica
de dez anos de jejum
Esperemos que essa cegada
não lhes possa dar pr’ó torto
e a marcha vire azulada
nas avenidas do Porto

Mas que vês mais marujinho
que mais ouves, diz-me lá
-…Vejo que chove fininho
e muito pouco por lá
Nem rezas, choros e prantos
Parecem querer convencer
Sáo Pedro e os outros santos
de mandar chuva a valer

Ó gente da Catrineta
mas que seca mais danada
quando abrirmos a agulheta
e não virmos correr nada
Quando o calor fôr tamanho
e a malta suar em bica
água para tomar banho
só se fôr na Caparica

Mas que mais ouves e vês
nesse nosso Portugal?
-…Já entendi de uma vez
porque estou a ouvir mal
Chamai a vós o D. Costa
não me pergunteis a mim
contar-vos-à a marosca
toda tim-tim por tim-tim

Marosca!? Mas qual marosca?
não há som nesse radar?
mas que se passa D. Costa
porque é que o som foi ao ar?
-Foi há algum tempo atrás
meu mui nobre capitão
no mando de Santanás
esse valente aldrabão

Para pagar uns favores
a um Sanches não sei quantos
e uns outros doutores
do altar dos mesmos santos
Trataram de abrir concurso
com mais três fornecedores
p’ra fazer figura de urso
cobrindo a trampa com flores

Acontece que eu, D. Costa
descobri a sacanada
tirei as flores da bosta
e vi a trampa engendrada
Dei logo ordens na hora
p’ra limpar o abcesso
e tratei mesmo ‘inda agora
de encetar novo processo

Por isso ó minha gente
vamos ter que aguentar
-…Fizeste bem meu tenente
limpinho se deve andar
Antes surdos que cagados
antes mudos que corruptos
não queremos ser acusados
de sujos pelos Abrupto(s)

D. Pedro, vinde até cá
algo vos quero ditar
D. Augusto anunciará
o que vais escrevinhar:
Quero esta Nau a brilhar
desde a proa até à ré
ai de quem a emporcalhar
que é corrido a pontapé.

março 17, 2005

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p’ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr’à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p’lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P’ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?…D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

-Sobre à gávea marujinho
da nobre Nau Catrineta
põe-te dentro do cestinho
e aponta-me essa luneta
noventa graus para leste
porque estou desconfiado
que devido a um cafajeste
vai haver caldo entornado

-D. José, meu Capitão
e senhor da ordem rosa
tendes vós muita razão
há barracada da grossa
O castelo de Lisboa
ficou em vias de herdar
dois Alcaides, essa é boa
p’ra cidade governar

Nunca tal vi meu Senhor
só mesmo D. Santanás
o douto trapalhão-mór
seria disto capaz
Após as broncas constantes
ao leme da Catrineta
dava era corda aos calcantes
e punha-se de vez na alheta!

– Concordo plenamente
assim deveria ser
mas depois ó minha gente
de que iria ele viver?
Nunca fez ponta de um corno
a não ser de trapalhão
de mulheres foi um adorno
útil na ocasião

Há quem alegue contudo
que se safava a preceito
porque possui um canudo
dado à área do direito
Penso que apesar da fama
morria há fome num mês
com um nabo desta rama
quem queria ser seu freguês?

…Mas diz-me meu marujinho
conta-me mais do que vês!

Vejo e ouço muita gente
gente humilde e gente fina
à Porta do Continente
para comprar aspirina
E dão vivas a valer
por vós terdes ordenado
que se podiam vender
em qualquer Hipermercado

Mas também sois contestado
as farmácias já se alinham
por lhes ver ser retirado
o monopólio que tinham…
-…Ai sim? pois deixa-os berrar
eu sou cego, surdo e mudo
direi mais: Deixa-os pousar
que ainda não ouviram tudo

Fica a saber essa gente
que não só os Hipermercados
podem vender livremente
remédios não receitados
desde o Control ao Durex
do melhoral à aspirina
vai ser tudo à “vontadex”
nas bombas de gasolina
.

março 10, 2005

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p’ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr’à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p’lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P’ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?…D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Era tempo de ocupar
camarotes e beliches
eram novos, a estrear
bem confortáveis, bem fixes
É claro que os tenentes
ocupavam camarotes
o resto das outras gentes
os beliches, mais fracotes

O grosso da marujada
toda ao monte, pois então?
pelo convés espalhada
com os costados no chão
Há séculos que assim era
sempre assim fôra vivido
a vida dura e austera
tinham há muito assumido

“…Falta muito para zarpar?
ó piloto do inferno?
eu quero é fazer-me ao mar
que em terra não me governo
o Banco levou-me a casa
o fisco o meu carrinho
a mulher bateu a asa
deixou-me a falar sozinho”…

“…Foi bem feito,meu sacrista!
quem te mandou ser otário?
querias ser galo de crista
foste frango de aviário
elegeste um trapalhão
D. Burroso, essa vedeta
para ser ele o Capitão
da bela Nau Catrineta…

…Em vez da prata e do oiro
que dizia ir trazer
afundou foi o tesoiro
e deu à sola a correr
Depois foi D. Santanás
com ele foi um fartote
já percebes porque estás
não de tanga, mas pelote?”…

Calou, seus fala-barato
vós sois piores que peixeiras
e toca a dar ao sapato
acabar com as brincadeiras
uma encomenda selada
vai chegar via postal
vem do Caldas enviada
p´ra D. Diogo Amaral

Assim que ela cá chegar
quero ser logo avisado
aquele que a entregar
vai levar outro recado
D. José me confiou
esta tarefa importante
escusado dizer que estou
bem por demais radiante

Irei dizer ao carteiro
que diga de uma assentada
ao marmelo que primeiro
no Caldas vir à entrada:
De D. José venho a rogo
informar-vos em geral
que o quadro de D. Diogo
de Freitas do Amaral
foi com prazer recebido
logo,logo colocado
no local que lhe é devido
prontamente preparado

D. Paulinho a sua acção
foi a de um puto de escola
ou você é parvalhão
ou não bate bem da bola
mas pode ficar ciente
depois desta brincadeira
pode haver na sua gente
quem espete o seu na lixeira

março 05, 2005

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
conta os dias a ampulheta
para que possa zarpar
vestida de novas cores
se fará de novo ao mar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Só faltava uma semana
p’ra nobre real
buscar nova Taprobana
em nome de Portugal
Era grande a confusão
que por ali imperava
os jornais, a televisão
vendo a gente que chegava

Olha o gajeiro e o calafate
o capelão, o tanoeiro
o farreiro, o alfaiate
ena tanto marinheiro!
Mas o que os escribas queriam
nem de longe nem de perto
por mais que olhassem não viam
o que queriam ver ao certo

Surgindo ao fundo da praça
montado em branco alazão
D. José, de sua graça
eis o novo Capitão
Mas… vem só?- pergunta um
dos escribas do inferno-
então não trazeis nenhum
comandante subalterno?

Ficai pois vós a saber
ó D. José da Rosinha
que exigimos conhecer
quanto antes, depressinha
quem são os vossos tenentes
queremos fazer o jornal
nem que nos diga entre-dentes
que não levamos a mal

Caros senhores jornalistas
aí estão eles, todinhos
tevês, jornais e revistas
esperem só um bocadinho
Primeiro vou eu falar
duas perguntas a meio
a seguir ponho-me a andar
vão a correr ao correio

Um… dois… três… e TCHAM!
cairam nas redações
do Correio da Manhã
à Rádio e Televisões
o fax mais aguardado
pelos escribas da treta
quem é que foi nomeado
tenente da Catrineta

Correm todos em tropel
perante o pasmo das gentes
para agarrar o papel
com os nomes dos tenentes
queriam ser os primeiros
a poder comunicar
já tinham os paineleiros
prontinhos a comentar

Ficou então a saber
a populaça na altura
como passaria a ser
o princípio da aventura
Como iriam começar
os versos na narração
quedou-se pronta a escutar
o arauto da nação:

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito

D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p’ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro

D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem

D. Pedro estará à ré
transmitindo à populaça
aquilo que D. José
vai ordenar que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p’lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão

A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P’ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?…D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar


Lá Vem a Nau Catrineta (36 a 39)

Fevereiro 26, 2005

fevereiro 26, 2005

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
conta os dias a ampulheta
para que possa zarpar
vestida de novas cores
se fará de novo ao mar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Era certa a previsão
a turba quiz afinal
D. José, p’ra Capitão
da sua barca real
Da boca da populaça
lá vem o velho ditado
Vale mais cair em graça
do que parecer engraçado

Apesar da rasteirice
do jogo sujo e nojento
e da vil ordinarice
ao arrôto mais sebento
Do populismo barato
e da falsa beatice
dos arraiais de aparato
e da mais pura cretinice

O povo que não é burro
viu o que a casa gastava
a coisa cheirava a esturro
e a mentira imperava
Vai daí sem mais demora
Disse BASTA a Santanás
pegue a troxa e vá-se embora
leve D. Paulinho atrás

Mas havia outra questão
que também transparecia
era mostrar a razão
que a El-Rei assitia
quando lhe deu na veneta
e ordenou a Santanás
que encostasse a Catrineta
e fizesse marcha atrás

Quão bonita foi a festa
voltou a sorrir o povo
se a sorte lhe foi funesta
nascia agora de novo
Uma esperança maior
colocava com doçura
na nau de El-Rei seu senhor
que ia de novo à ventura

Na praça junto a uma esquina
sentado no seu banquinho
agarrado à concertina
cantava assim um ceguinho:

Ó povo da Catrineta
mas quem te entende afinal?
quando te dá na corneta
armas cada vendaval
Já deitaste a rosa fora
e a laranja escolheste
vês qual foi o preço agora
da merda que então fizeste?

Agora toma cautela
vê se aprendeste a lição
não caias mais na esparrela
de escolher um Capitão
Da casa da laranjeira
seja qual fôr o escolhido
repetindo a brincadeira
estás outra vez bem f…..!

fevereiro 19, 2005

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
conta os dias a ampulheta
para que possa zarpar
vestida de novas cores
se fará de novo ao mar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Dando crédito à sondagem
todos criam que a ralé
com uma larga vantagem
escolheria D. José
assim mandaria o povo
que a sua barca real
se fizesse ao mar de novo
em nome de Portugal

Perante a fé côr de rosa
que em todo o porto imperava
de uma vitória estrondosa
que já ninguém duvidava
D. José extasiado
olhos pregados no mar
sonha aventura acordado
não vendo hora de zarpar

E já se vê Capitão
ordenando aos seus tenentes
e a toda a tripulação
de marinheiros valentes:
“Vamos a isto cambada
rizem velas, ferrem panos
e nem que seja à chapada
vou navegar quatro anos
Findos os quais quero ter
o baú a abarrotar
oiro e prata hei-de trazer
num tesoiro de encantar

Não sou outro Santanás
nem tão pouco outro Burrão
e muito menos Paulinho
o tal sub-capitão
Que passado duas léguas
logo a rabiar ficavam
como duas ratas cegas
sem saber por onde andavam

Eu D. José vos garanto
que sei onde fica o Norte
debaixo do meu comando
haveremos de ter sorte
Tenho olhos de falcão
e nariz de perdigueiro
topo e cheiro um galeão
a léguas se traz dinheiro”

Era pois este o sermão
que trazia engatilhado
o futuro Capitão
da barca do nosso fado
Mas embora não pensasse
ainda havia um senão
e se a ralé obrigasse
a haver sub-capitão?

Quem escolheria afinal?
o avôzinho ou o neto?
D. Jerónimo Cunhal
ou o D. Anacleto?
A hipótese era remota
mas podia acontecer
p’ra descalçar essa bota
que iria ele fazer?

Era melhor não pensar
depois logo se veria
algo se iria arranjar
se falhasse a maioria
Tem lá calma D. José
e não penses nisso agora
tu és um homem de fé
não te borres nesta hora

Já esqueceste o companheiro
que naquele dado momento
comprou alguém sem dinheiro
e aprovou o orçamento?
Com um queijo aflamengado
a ética que se lixe
viu o orçamento aprovado
com uma simples sanduíche

Portanto se não tiveres
maioria absoluta
repete o que fez Guterres
não vires a cara à luta
Quem sabe se na Madeira
não haverá um sacana
que repita a brincadeira
a troco de uma banana?

fevereiro 12, 2005

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
conta os dias a ampulheta
para que possa zarpar
vestida de novas cores
se fará de novo ao mar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Redobrou a animação
às portas do Carnaval
ó patego olha o balão
sobe ao céu de Portugal
Quem vai ser o Capitão
da nossa barquinha amada?
é grande a agitação
pula a gente extasiada

De D. José a Louçã
de Portas a D. Jerónimo
de Santanás, o galã
à Pereira e seu homónimo
cheios de alma e fulgor
lá vão percorrendo a feira
com um sorriso sedutor
desde o Algarve à Madeira

Mas como agem então
estes cromos afinal
que querem deitar a mão
à nobre barca real?
Desfilam entre bandeiras
e o ribombar dos tambores
dizem graçolas foleiras
p’ra seduzir eleitores

Chegam a todas as ruas
a vielas e travessas
trazendo mundos e luas
nas mãos cheias de promessas
Mas numa visão mais lata
o que é que vemos em suma?
uma mão cheia de nada
outra de coisa nenhuma

Mas que haja festa afinal
e morra a tristeza vil
seja sempre Carnaval
viva o primeiro de Abril
siga o corso minha gente
que a malta quer é festança
andar alegre e contente
caminhar como quem dança

O pior é o depois
quando a festa terminar
quando um daqueles dois
em capitão se arvorar
será dia de finados
e de rabinho pró ar
dos foguetes rebentados
muita cana há prá’panhar
Mas tereis que ter cautela
porque esta gente é maluca
tendes que estar à tabela
ou pôr um olho na nuca

Quando as festas terminarem
vais valer menos que nada
quando já não precisarem
de ti servindo de escada
se te apanham no terreiro
espetam-te sem hesitar
uma cana no traseiro
qual foguete p’ra estoirar

fevereiro 05, 2005

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
conta os dias a ampulheta
para que possa zarpar
vestida de novas cores
se fará de novo ao mar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Fez-se a turba encaminhar
para a praça engalanada
prontinha a ouvir cantar
um fadinho à desgarrada
à esquerda do guitarrista
o D. José da rosinha
à direita o outro artista
D. Santanás laranjinha

Treinados os vocalizos
com os gasganetes bem quentes
foram feitos os avisos
aos dois artistas presentes
Cada um diz duas quadras
e a seguir cala o pio
são as regras estipuladas
p’ra cantar ao desafio

Pediu-se ainda maneiras
decôro e elevação
nada de bocas foleiras
essas trampas é que não
após a aceitação
de um e de outro lado
foi dado início à sessão
silêncio, canta-se o fado

E a populaça escutava
o cantar destes fadistas
e a guitarra acompanhava
com doçura os dois artistas
Quando… ó espanto dos espantos
ainda os acordes soavam
ouviram-se em alguns cantos
vozes de uns que protestavam

Ó D. José, por favor
essa letra é bué velha
todos a sabem de cor
inda’temos na orelha
já D. António a cantou
já conhecemos o fado
que você plagiou
por isso esteja calado

Quanto a vós, D. Santanás
que estais aqui a fazer?
nem de cantar sois capaz
que havemos mais de dizer?
Deveis meter-vos na alheta
do que cantais ninguém gosta
sois um fadista da treta
e o que cantais vira bosta


Lá Vem a Nau Catrineta (32 a 35)

Janeiro 29, 2005

janeiro 29, 2005

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
conta os dias a ampulheta
para que possa zarpar
vestida de novas cores
se fará de novo ao mar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Estando a Nau a receber
já os retoques finais
chamou-se a turba a escolher
capitão e generais
foi dada ordem real
p’ró começo da contenda
e montou-se o arraial
cada qual com sua tenda

Fui esfaqueado por trás
morto na incubadora
berrava D. Santanás
com voz cava e sedutora
Dai-me outra oportunidade
prometo-vos prata e oiro
esmeraldas, rubis e jade
dar-vos-ei grande tesouro

Não escuteis D. Santanás
belo contador de petas
não é mais que um incapaz
é o grão-mestre das tretas
Escutai-me a mim, D. José
capitão da casa rosa
que vos promete bué
de vida alegre e faustosa

Eu é que sou o melhor
não escuteis esses trafulhas
votai Portas por favor
deixai-os com suas bulhas
comigo ao leme da Nau
voltaremos com certeza
a comer bom bacalhau
e iscas à portuguesa

Mas que diferença os define?
escutai-me a mim, D. Jerónimo
um seguidor de Estaline
e do índio meu homónimo
prometo dar-vos o oiro
pôr a prata em vossos braços
sacando-os ao tesoiro
dos galeões dos ricaços

Eu cá prometo ‘inda mais
olhai cá para o chavalo
prometo “pedra” geral
mas em dose de cavalo
livrar lésbicas e gays
o aborto nos Hospitais
cá com o Louçã podereis
casar homoxessuais

Sentado no seu banquinho
lata da esmola na mão
dizia assim um ceguinho
tocando acordeão

Pobre de ti barca bela
e a mais os teus marinheiros
quando tu doares a vela
a um destes timoneiros
após mais uma aventura
regressará tudo nú
pelas ruas da amargura
sem um tostão no baú

janeiro 22, 2005

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar…
conta os dias a aumpulheta
para que possa zarpar
Dizem que em fins de Fevereiro
se fará de novo ao mar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar…

Primeiro foi D. Burroso
depois foi D. Santanás
a este par lastimoso
se deve o estado em que estás
Já mandaram vir ferreiros
calafates e pintores
entalhadores, tanoeiros
e outros reparadores

E também chegados são
mestres de obra com cartel
que afirmam com convicção
e sapiência a granel
Pôr-te de novo no mar
sem sinal de quebradura
prontinha a recomeçar
a tua nova aventura

Já toda a gente aclama
o capitão que será
D. José, assim se chama
o que te comandará
Que promete dia a dia
a quem o quiser escutar
sem medo nem cobardia
outro Bojador dobrar

E outras Índias descobrir
de pimentas e canelas
de novos rumos abrir
com a cruz de Cristo nas velas
Se for Capitão-Real
porá fim às tuas mágoas
qual nau de Gama ou Cabral
hás-de voar sobre as águas

Alegra-te ó Catrineta
Ó nau de El-Rei D. Sampaio
que hás-de ficar repleta
de oiro, barca de um raio
Só de pedras preciosas
encherás o teu porão
e a perfume de rosas
cheirarás até mais não

E virá o Cardeal
com ladaínha e incensos
e as damas de Portugal
a acenar com seus lenços
Pois nem El-Rei faltará
ao glorioso zarpar
e a lágrima lá estará
marota pronta a saltar

Olha os velhos do Restelo
que ousam interrogar
cobardes, há que dizê-lo
não são dignos de embarcar
Na demanda gloriosa
que não tarda a começar
a da irmandade rosa
com D. José a mandar

Ficarão sós a olhar
a ver a barca partir
com os marujos a cantar
e a plebe a aplaudir
exorcisando o agoiro
contra ventos e marés
para que a prata e o oiro
caiam do céu a seus pés

Já poetas se adiantam
a escrever novas glórias
com aqueles versos que cantam
as indómitas vitórias
nas demandas da mourama
nos mares do Adamastor
que nos trouxeram a fama
de ser povo sem temor

Mas ó poetas, cautela
terá sempre o mesmo fim
p’ra não perder a chancela
só pode acabar assim:
“…Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar…”

janeiro 15, 2005

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar…

Ancorada a Nau ao porto
até meios de Fevereiro
nos arredores do estaleiro
sentado no seu banquinho
assentou praça um ceguinho
com a guitarra na mão
entoando uma canção
da fazer chorar um morto

A gente que labutava
na nobre barca real
de El-Rei de Portugal
pararam p’ra ouvir o fado
que o ceguinho desgraçado
entoava em tom dolente
e com letra tão pungente
que todo o mundo chorava

Mas o que dizia o cego
nos seus versos afinal?
dizia que Portugal
era um reino desgraçado
que fora amaldiçoado
por alguma bruxa tonta
estava um reino “faz de conta”
com todos os bens no prego

Tinha chegado a tal estado
de pobreza franciscana
que ainda esta semana
houvera quem alvitrasse
que a velhada se preparasse
p’ra bulir mais cinco aninhos
toca a mexer os rabinhos
até cairem p’ró lado

E enquanto o povo se amola
por não saber que enfiar
na panela do jantar
pois já está a marcar passo
anda aí gente do Paço
em mergulhos tropicais
e passeatas orientais
com cem marmanjos na cola

Vejam ao que isto chegou
filhos de uma cabra velha
sou cego mas não azelha
que não sinta a vilania
hei-de ver chegar o dia
em que tereis de saldar
tudo o que estais a roubar
a quem em vós confiou

Ouvi ó gentes do mar
calafates e ferreiros
marujos e cozinheiros
deitai fora as ferramentas
ou dai com elas nas ventas
dos donos da Catrineta
senhores de muita palheta
que vos querem enganar

Se vos vierem perguntar
quem quereis p’ra Capitão
respondam todos que não
que para vós tanto faz
Sócrtates ou Santanás
o boby ou o tareco
ou qualquer outro boneco
que eles queiram arvorar

janeiro 02, 2005

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar…

( Aqui, o Velho do Restelo interrompe o Zecatelhado)

Estava a Nau já no estaleiro
prontinha a ser reparada
depois de ser escavacada
primeiro por D. Burrão
esse “Cherne” capitão
que ao ver o rabo a arder
sem saber mais que fazer
deu à sola p’ró estrangeiro

Depois p’ra mal dos pecados
da ralé da Catrineta
um novo mestre da treta
foi armado capitão
sendo bronco até mais não
pior que um tijolo burro
este pedante casmurro
desfez o resto em bocados

Mas aqui amigos meus
a culpa vai para El-Rei
eu nunca perceberei
que raio lhe deu na cuca
pôs toda a ralé maluca
ao dar a um incompetente
os destinos da sua gente
foi pois de bradar aos céus!

Santanás, o Brilhantinas
foi rei momo em Portugal
vivemos em Carnaval
quatro meses de virada
nem no Brasil a tourada
chega a um tal aparato
agora é pagar o pato
destas pestes cabotinas

Foi deitar dinheiro ao vento
foi gastar à vara larga
a crise vai ser amarga
vamos chorar baba e ranho
e vai ser de tal tamanho
que vamos ter que importar
uns baldes tipo-alguidar
p’ra caber toda lá dentro

Ó gentes da Catrineta
ó povinho desgraçado
será sina? será fado?
será má sorte, condão?
aturas cada aldrabão
que sem pejo nem vergonha
te vende a sua peçonha
e tu compras, qual cegueta!

Não te deixes enganar
pela canalha outra vêz
são sempre os mesmos, não vês,
a dar-te a banha da cobra?
não conheces já de sobra
os malditos vendilhões
que te prometem milhões
mas nada têm p’ra dar?

( Fim do discurso do Velho do Restelo – Recomeça o Zecatelhado )

… Depois de tudo o que ouvi
que mais posso acrescentar?
nada mais há p’ra lembrar
a não ser a poesia
que o poeta certo dia
num poema rematou:
NÃO SEI POR ONDE VOU
MAS SEI QUE NÃO VOU POR AÍ!


Lá Vem a Nau Catrineta (29 a 31)

Dezembro 18, 2004

dezembro 18, 2004

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Estava a Nau já atracada
por ordem de El-Rei Sampaio
depois de ser escavacada
por essa corja de um raio
que quase a havia afundado
nos tempos de D. Durão
e ainda mais arrombado
por Santanás capitão

Pondo fim aos disparates
fez D. Sampaio avançar
ferreiros e calafates
para a poderem reparar
desde rombos a fracturas
no casco e nos mastaréus
que após estas aventuras
estavam de bradar aos céus

Até a arca do saque
sofrera de um rombo tal
que ia dando um ataque
a El-Rei de Portugal

Fora o pilim quase todo
p’ra luxos e mordomias
tinha sido mais que um bodo
de folguedos e folias
desde carros a acessores
secretárias, secretários
gabinetes p’rós doutores
buracos rodoviários

Tendo os bichos do demónio
chegado ao fundo do saco
toca a vender patromónio
para tapar o buraco
Agora, está bom de ver
que o que se segue, sabeis:
os dedos ter que vender
após venda dos anéis

E a pobre marujada?
quando o escorbuto atacou
na despensa esvaziada
nem um limão encontrou
Todo o dinheiro servia
p’rá desbunda dos tratantes
p’rá festança e prá folia
dos sinistros comandantes

E a escola da marinhagem
também ela achincalhada!
foi um fartar vilanagem
deixaram-na desgraçada
sem rumo foi navegar
um seja o que Deus quizer
sem mestres para ensinar
sem alunos p’ráprender

Neste estado degradante
entrou a Nau no estaleiro
virá novo Comandante
em meados de Fevereiro
Pra não correres novo risco
tem cuidado, Catrineta
não se vire só o disco
e se toque a mesma treta

dezembro 11, 2004

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Eis que a nossa Nau entrava
no pontão sul de Belém
a viagem terminava
ordem directa de El-Rei

D. Sampaio ordenava
ao pessoal do estaleiro
que a Catrineta encostava
p’ra obras até Fevereiro

Chancelou o documento
com o sinete real
e a partir daquele momento
no meio do maralhal

disse p’ró estafeta-mor
“levai-o a D. Santanás”
que o leia, por favor
e que faça marcha atrás

Finalmente era ordenado
sem piedade nem dó
o fim deste triste fado
o fim do forrobodó

D. Santanás furioso
ao ler o tal “papelinho”
vociferou em tom raivoso:
“chamai-me já D. Paulinho”

“Que foi, Senhor Capitão,
porque estais tão furibundo?
vem aí algum tufão
ou a Nau bateu no fundo?”…

“Deixai-vos de armar aos cucos
e dessas bocas foleiras
travai os gestos malucos
veja lá se tem maneiras!

Estamos todos demitidos
Santanás, Capitão Gay…
fomos todos despedidos
por ordem expressa de El-Rei

E ordena sem mais demora
que a Nau seja encostada
no real estaleiro,AGORA!
p’ra que seja reparada

Como vêdes D. Paulinho
aventura terminada!
contra isto, meu santinho
não podemos fazer nada!

Ó que pobre sorte a minha
porque larguei eu Lisboa?
a Figueira, a bola e a Cinha…
a vidinha era tão boa…”

“Calma, calma Capitão
que algo se há-de arranjar
a arte da confusão
sou eu mestre a preparar…”

“Mas não há nada a fazer,
chegou ao fim o caminho…”
“Isso é o que vamos ver…
..onde é que está o livrinho?…”

“O livrinho?! Qual livrinho?!…
que estais vós a magicar?
A Bíblia?! D. Paulinho?
que ides vós arranjar?!”

“Um, dois, três…vamos a isto!
Vejamos onde calhou
Àh! calhou na Paixão de Cristo
quando o galaró cantou!

Eu não disse, Capitão,
que este truque nunca falha?
encontrei a solução
toca a’frontar a canalha!”…

“Macacos me mordam todo
se vos entendo na hora…”
Meu Capitão, é o engodo
que vamos lançar agora!…”

“Engodo?! Mas qual engodo
que vamos lançar agora?!
estais é maluco de todo
vou deitar-vos borda-fora!”

“CALMA AÍ, D. Santanás
começemos o ensaio
veremos do que é capaz
para afrontar D. Sampaio…”

“Afrontar? Isso é que eu queria!
e derrubar, afinal!
quem sabe, pudesse um dia
ser o Rei de Portugal…

Foi por crer que isso era um meio
que aceitei comandar
esta Nau que agora odeio,
para lá poder chegar…”

“Está a ver, Capitãozinho?
tende fé e confiai
aqui no amigo Paulinho
que um amigo nunca trai

Sereis rei, queiram ou não
os reviralhos da treta
e eu vosso Capitão
da bela Nau Carineta

Mas voltando à vaca fria:
como o livro santo indica
logo ao despontar do dia
direis de El-Rei com genica:

Ele é um grande aldrabilhas
e um hereje, que eu bem sei
porque apontou p’ra Cacilhas
jurando por Cristo Rei

Três vezes ousou gritar
fosse qual fosse a razão
nunca me iria tirar
o posto de Capitão

Ora de um Rei aldrabão
que podeis vós esperar?
não quero ser Capitão
nem esta Nau comandar

Prefiro ser desterrado
para os confins do universo
que aturar este chalado
deste Rei mau e perverso

Vereis como o povo “papa”
este tipo de lamentos
vós saireis à sucapa
esperando novos ventos

E quando a hora soar
digo-vos eu, que bem sei
alguém vos virá buscar
para serdes o novo Rei

dezembro 01, 2004

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros

Andava a nau bolinando
Tejo abaixo sem destino
D. Santanás besuntando
seu ralo cabelo fino
D. Portas mudo e calado
olhos fixos no além
espera nervoso e sentado
por notícias de Belém

E eis que então de repente
sol a pino, era meio-dia
D. Santanás pára o pente
e berra para o vigia
Sobe à gávea meu marujo
sei que a borrasca me aguarda
e como à sina não fujo
então que venha a bernarda

Vê se topas de luneta
quem me quer fazer a cama
além desse El-Rei da treta
os autores de toda a trama
embora p’ra ser sincero
eu já os conheça bem
desde o Mendes ao Marcelo
e ao candidato a Belém

E ainda a Manuela
e o filho de uma rameira
que deitava p’la janela
o DVD do Vieira
foram muitos os traidores
devia ter estado a pau
malditos conspiradores
contra o comando da Nau

Da parte que toca a nós
sempre vos fomos leais
nunca criámos torós
borrascas ou temporais
Digo eu, D. Paulo Portas
e é a verdade acabada
se as coisas sairam tortas
foi a laranja a culpada

Cale-se lá um bocado
que isso é conversa fiada
Marujo: estás tão calado
ainda não viste nada?

Meu Capitão, vejo sim
vejo El-Rei muito animado
com os homens do pilim
e D. Soares a seu lado
e também o D. Aníbal
e ainda o Cardeal
perguntando se é possível
fazerem-lhe o funeral

A si e a D. Paulinho
e à tralha que vos seguiu
vão mandar-vos de fininho
p’rá p… piiiiiiiiiiiiiiiiiiuuuuuuuu!!!
dizem que estão liquidados
e que a partir desta altura
estão mortos e enterrados
bem fundo na sepultura

Àh,ah,ah! deixa-me rir
bem enterrado uma ova
pois saibam que hão-de assistir
ao morto a sair da cova

Digo-vos eu Santanás
as vezes que for preciso
que ainda hei-de voltar
p’ra vos chagar o juízo