Lá Vem a Nau Catrineta (49 a 51)

Agosto 27, 2005

agosto 22, 2005

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p’ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr’à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p’lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P’ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?…D. Lacão
É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Agosto estava um braseiro
ia a Nau a meio-gás
sentadinho lá atrás
junto ao varandim da ré
dormitava D. José
esperando por um ventinho
p’ra refrescar o focinho
mas de vento…nem o cheiro!

A canícula ia brava
a Nau estava sequiosa
desde o despontar da Rosa
nem uma gota caíra
seca assim nunca se vira
já se falava em ração
calculem vocês então
quanta angústia ali morava

“Vigia, espreita outra vez
antes que me afogue em mágoa
não vês nuvens prenhes de água
nalgum ponto do horizonte?…”
“P’ra onde quer que eu aponte
só vejo azul, Capitão
nem com o Porto campeão
vi tanto azul de uma vez!”

“Meu santinho padroeiro
que o Céu tenha piedade
vou encarar a verdade
vamos morrer de secura
é que se esta merda dura
pelo menos mais um mês
é chegada a nossa vez
vamos todos prá “galheiro”!

Cheiro tão mal como tu
um fedor acre e picante
tenho a pele qual elefante
e mais sal que uma sardinha
ao menos uma chuvinha
tipo “mijinha de cão”
sempre molhava o sabão
e a malta lavava o cú!”

“Sei que vou dizer asneiras
pois sou burro e mal sei ler
homem do povo, está a ver?
e tenho pouca instrução
faz-me muita confusão
ver tanto douto afirmar
que a água está a’cabar
nas barragens e albufeiras!…”

“Que raio?!…o quê?!…repete!
que estás p’ráí a dizer?!…”
“Que não consigo entender
razão p’ra tanto alarido
nem porque andais constrangido
por não lavar o traseiro
só se faltar o dinheiro
p’rá compra do sabonete!…”

“Tadinho, pirou de vez!
-Dá baixa à enfermaria!-
é isso: O sol do meio-dia
já começa a fazer mossa
a coisa já está mais grossa
que aquilo que calculei!…”
“Calma Senhor, que ainda sei
distiguir a mú da rêz!

Eu só queria perguntar
para poder entender
porque está tudo a gemer
se daqui estou a’vistar
gente na calma a regar
campos de golfe sem fim
vasos, flores e jardim
cagando-se p’ró poupar!

E os campinhos da bola
regados o dia inteiro?
e os nababos com dinheiro
enchendo a sua piscina?
então se isto desatina
com a tal dita campanha
a mim cheira-me a patranha
essa lamúria parola!

Agarrai no sabonete
no shampô e na esponginha
e enchei a banheirinha
da água q’uinda restar
e trate lá de lavar
o cuzinho e os tomates
parando com os disparates
e arrumando a cassete!”

“Ah,ah,ah!…-riu um marmelo
que se juntara a ouvir-
ò Capitão, podeis ir
já lhe enchemos a banheira
como a puta da torneira
estava seca como a palha
vai daí, esta maralha
encheu-a de Água Castelo!

agosto 16, 2005

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p’ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr’à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p’lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P’ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?…D. Lacão
É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Estando a Nau dos desditosos
quase vendida a Caronte
D. José Subiu à ponte
quando o dia despontava
com a destra segurava
uma cerveja fresquinha
com a esquerda uma “mão cheiínha”
de tremoços mal-cheirosos

“Pôrra, estamos na sarjeta
nem há pilim p’ró tremoço
estou à toa neste poço
ao qual não avisto o fim
sei o que vai ser de mim
se a descida continua
o povo põe-me na rua
e “good bye” Catrineta!

Vigia deste barquinho
que novas tens p’ra me dar?
precisamos animar
a gente que aqui navega
a sorte tem sido cega
mas talvez seu fim se augure
“não há mal que sempre dure”
já lá diz o Zé Povinho!”

“Está a causar grande impacto
uma coisa de pasmar
gente da Rosa a clamar
o regresso do lendário
e cavernoso D. Mário
ao nobre trono real
só que o consenso total
está longe de ser um facto

É que igualmente à partida
se perfilou D. Manuel
o tal “poeta chanell”
figura bem conhecida
anda a Rosa dividida
entre estes dois candidatos
vai virar “saco de gatos”
aposto eu a minha vida

Também a Casa Laranja
sem esperar p’la demora
fez apresentar na hora
o seu candidato a Rei
e por aquilo que sei
anda tudo convencido
que será ele o escolhido
que a vitória vai ser canja!

Na Casa Vermelha vejo
fazerem contas à vida
são como “rata sabida”
muito velha e tarimbada
para já fica parada
à espera da procissão
depois vê se põe ou não
um santinho no cortejo!”

“Então e os azulados?
e os da casa de Leon?”
“Os azuis seguem o “Dom”
que a Laranja quer ver Rei
quanto aos de Leon já sei
porque não nasci otário
vão apoiar o D. Mário
fingindo-se contrariados

Está visto assim que afinal
com mais ou menos intruso
tal como a água do Luso
tudo está mui clarinho
teremos D. Cavaquinho
e D. Mário a disputar
quem o cú irá sentar
no trono de Portugal!”

“Quero a tua promoção
de vigia a Conselheiro
o teu palpite é certeiro
e vais directo ao assunto!…”
“Promovei-me antes a adjunto
já que vos caí em graça
isso sim, é ganhar massa
tanto ou mais que o Capitão!”

Assim farei, mas primeiro
tens ainda que opinar:
o que é que se vai passar
no decorrer da campanha?
que tipo de frase ou senha
as gentes do Cavaquinho
e as do nosso avô Márinho
vão usar na propaganda?”

“É fácil de adivinhar
(já cá canta o meu tachinho)
quanto aos de D. Cavaquinho
vão usar este chavão:
TUDO A BEM DA NAÇÃO
SIEG HEIL! D. CAVACO
P’RA NOS TIRAR DO BURACO
ONDE ESTAMOS A HIBERNAR!

D. Mário talvez se lixe
porque a Casa de Leon
(duvido é que seja bom)
quer deixar a sua marca
se a Casa da Rosa embarca
no célebre “SOARES É FIXE”
vai ter que acrescentar
BEBE VINHO E FUMA HAXIXE!!!

agosto 15, 2005

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p’ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr’à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p’lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P’ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?…D. Lacão
É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Neste Ano Santo da Graça
aos vinte do mês de Julho
estando o país ao barulho
outra vez com tudo a arder
por ninguém querer entender
porque acontece esta praga
um’outra história aziaga
ombreou com tal desgraça

Pairava grande ameaça
com a escassez do pilim
muita gente chama assim
àquilo que compra o pão
o tintol e o sabão
o azeite, o bacalhau
a pimenta, o colorau
e sem o qual minguém passa

Valentes homens de raça
os marinheiros da Nau
sabendo tudo tão mau
no que à “guita” diz respeito
aguentavam de peito
o infortúnio e a desdita
fruto da corja maldita
com mestrado na trapaça

Esse bando que esvoaça
qual abutre rapineiro
quando lhe cheira a dinheiro
mergulha em voo picado
e nunca está saciado
do seu voraz apetite
d’uma avidez sem limite
é composta a sua massa

Fôra tão grande a devassa
pela qual a Nau passou
que pouco ou nada sobrou
do ataque do tal bando
e a malta agora amargando
esse fartar-vilanagem
suportava com coragem
a má vida na barcaça

Mas quando a má-sorte abraça
atrás de uma outra vem
e nesse dia também
o ditado se cumpriu
um grande grito se ouviu
o célebre “homem ao mar!”
alguém ousara pular
sentido o fundo a uma braça

“Agarrem-me essa carcaça
que daqui ninguém se pira
olha que coisa tão gira
era só o que faltava
ou repartimos a fava
deste bolo nauseabundo
ou vamos todos ao fundo
gente bem e populaça!

Juro, não sei que faça
a este traidor de um raio
vai levar um tal “ensaio”
de chibata nos costados
que ficarão bem marcados
p’ra nunca mais se esquecer
que a quem se quer escafeder
declaro aberta a caça!

Olha quem é a fataça!
D. Cunha?! Não posso crer!
diga, que quero entender
porque quis “dar o cavanço”
mas vós julgais que eu sou tanso
ou que o vigia é zarolho
cego, com algum terçolho
ou pifado de cachaça?

Diz lá ó alma vivaça!..”
“D. José, por piedade!
juro dizer a verdade
não me mandeis açoitar!”
“Então começa a cantar!”
“Eu só quis dar à soleta
saltando da Catrineta
como a osga salta à traça…

Somente por quão madrassa
foi p’ra mim a triste sorte
só sendo um doido de morte
ou um bombista suicida
aceitaria na vida
trabalho a perder dinheiro
eu também não sou bombeiro
nem chanfrado da “cabaça”…

Pensei: Que se lixe a taça
vou mas é desopilar!
então se posso ganhar
mais com as reformas que tenho
ando a chorar baba e ranho
sofrendo a tola em acção
ataques de comichão
quais picadas de carraça?”…

“Ergamos na primeira praça
uma estátua a este santo
ou mesmo uma em cada canto
para ser mais comovente
anda p’raí tanta gente
tendo pensões de velhice
que s’este exemplo seguisse
p’rá malta era uma panaça!”

” Quem é que assim testemunha?”
-interrogou D. José-
“Eu!” que estou aqui de pé…
-disse um marujo jingão-
e a turba juntou-se então
ao camarada jocoso
e em uníssono, no gôzo
bradou: Á “G’ANDA” CUNHA!