Lá Vem a Nau Catrineta (40 a 44)

Março 31, 2005

março 31, 2005

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p’ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr’à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p’lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P’ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?…D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Havia já mais de um mês
que a Nau com estas figuras
tinha zarpado de vez
rumo a novas aventuras
Tinham ficado p’ra trás
os maus tempos, felizmente
os tempos de Santanás
que tanto mal fez à gente

Brilhava o sol radioso
num dia primaveril
que começara chuvoso
já anunciando Abril
quando esta história se deu
a qual aqui vou narrar
tal como ela aconteceu
assim, sem pôr nem tirar

Estando D. José à pôpa
olhando para o convés
reparou que que toda a roupa
da cabeça até aos pés
que a marinhagem vestia
dentro da barca real
estava gasta em demasia
e até rôta, por sinal

Chamai já o Mestre-Linha
ordenou a D. Alberto
que venha cá depressinha
que o caminho é bom e perto
quero saber o motivo
pelo qual as fatiotas
já parecem mais um crivo
estando assim todas tão rôtas!

Chamasteis-me Capitão?
chamei sim mestre alfaiate
posso saber a razão
de tão tosco disparate?
Já viste o que p’raí vai?
Qual disparate senhor?!
Não notasteis? pois olhai,
explicai-me lá, por favôr…

Porque andam os marinheiros
dessa forma desgraçada
tal qual uns pingonheiros
com a roupa toda rasgada!?
Era só o que faltava!
isto é barco de Corsário?
julgasteis que eu não topava
ou pensais que sou otário?

Por favor, meu Capitão
ó mui nobre senhor meu
ouvi agora a razão
porque tal aconteceu
Ninguém tem culpa, Jesus!
que os seus bravos marinheiros
andem rôtos, quase nús
mais parecendo pingonheiros…

O quê? Não há culpado?
que estais vós a afirmar?
por acaso haveis fumado
ou andais a snifar?
Então estes desgraçados
estão num estado que só visto
e depois não há culpados
de se ter chegado a isto?

Quer dizer, há culpado,
mas não é da Catrineta…
Já estou a ficar “passado”
ó mestre-linha da treta!
Explicai lá tudo, sim?
diga o que tem a dizer
tudo tim-tim por tim-tim
que é para eu entender

Ó meu Capitão amado
a culpa deste “caroço”
é do impasse criado
por defender o que é nosso
Há muito foi ordenado
concurso p’rá_quisição
do tal tecido indicado
para as roupas em questão

Só que os malditos chineses
também quiseram entrar
e os texteis portugueses
ficaram logo a berrar
E se o preço oriental
é mais baixo na contenda
que o preço de Portugal
a quem faço a encomenda?

Ora enquanto ia pensando
sem saber o que fazer
foi-se a roupa desgastando
até onde estais a ver
Se devo dar afinal
prioridade absoluta
ao que é feito em Portugal
como é que “descasco a fruta”?

Mestre-linha…muito bem
eu já vos entendo agora
mais: digo-vos que também
teria ficado à nora
Iremos então taxar
o paninho aos idiotas
para o podermos comprar
aos nossos compatriotas!

março 24, 2005

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p’ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr’à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p’lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P’ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?…D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Sobe à gávea sem demora
meu marujinho real
e diz-me aqui nesta hora
que se passa Portugal
Assenta bem a luneta
e abre-me esses radares
quero a descrição correta
de tudo o que lobrigares

-…Lobrigo meu capitão
muitas bandeiras vermelhas
e uma grande multidão
de gentes novas e velhas
dão vivas não sei a quem
são para aí seis milhões
vejo mas não ouço bem
qualquer coisa…campeões

Isso são os do Benfica
Já a fazer o “festum”
vendo o final da larica
de dez anos de jejum
Esperemos que essa cegada
não lhes possa dar pr’ó torto
e a marcha vire azulada
nas avenidas do Porto

Mas que vês mais marujinho
que mais ouves, diz-me lá
-…Vejo que chove fininho
e muito pouco por lá
Nem rezas, choros e prantos
Parecem querer convencer
Sáo Pedro e os outros santos
de mandar chuva a valer

Ó gente da Catrineta
mas que seca mais danada
quando abrirmos a agulheta
e não virmos correr nada
Quando o calor fôr tamanho
e a malta suar em bica
água para tomar banho
só se fôr na Caparica

Mas que mais ouves e vês
nesse nosso Portugal?
-…Já entendi de uma vez
porque estou a ouvir mal
Chamai a vós o D. Costa
não me pergunteis a mim
contar-vos-à a marosca
toda tim-tim por tim-tim

Marosca!? Mas qual marosca?
não há som nesse radar?
mas que se passa D. Costa
porque é que o som foi ao ar?
-Foi há algum tempo atrás
meu mui nobre capitão
no mando de Santanás
esse valente aldrabão

Para pagar uns favores
a um Sanches não sei quantos
e uns outros doutores
do altar dos mesmos santos
Trataram de abrir concurso
com mais três fornecedores
p’ra fazer figura de urso
cobrindo a trampa com flores

Acontece que eu, D. Costa
descobri a sacanada
tirei as flores da bosta
e vi a trampa engendrada
Dei logo ordens na hora
p’ra limpar o abcesso
e tratei mesmo ‘inda agora
de encetar novo processo

Por isso ó minha gente
vamos ter que aguentar
-…Fizeste bem meu tenente
limpinho se deve andar
Antes surdos que cagados
antes mudos que corruptos
não queremos ser acusados
de sujos pelos Abrupto(s)

D. Pedro, vinde até cá
algo vos quero ditar
D. Augusto anunciará
o que vais escrevinhar:
Quero esta Nau a brilhar
desde a proa até à ré
ai de quem a emporcalhar
que é corrido a pontapé.

março 17, 2005

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p’ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr’à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p’lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P’ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?…D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

-Sobre à gávea marujinho
da nobre Nau Catrineta
põe-te dentro do cestinho
e aponta-me essa luneta
noventa graus para leste
porque estou desconfiado
que devido a um cafajeste
vai haver caldo entornado

-D. José, meu Capitão
e senhor da ordem rosa
tendes vós muita razão
há barracada da grossa
O castelo de Lisboa
ficou em vias de herdar
dois Alcaides, essa é boa
p’ra cidade governar

Nunca tal vi meu Senhor
só mesmo D. Santanás
o douto trapalhão-mór
seria disto capaz
Após as broncas constantes
ao leme da Catrineta
dava era corda aos calcantes
e punha-se de vez na alheta!

– Concordo plenamente
assim deveria ser
mas depois ó minha gente
de que iria ele viver?
Nunca fez ponta de um corno
a não ser de trapalhão
de mulheres foi um adorno
útil na ocasião

Há quem alegue contudo
que se safava a preceito
porque possui um canudo
dado à área do direito
Penso que apesar da fama
morria há fome num mês
com um nabo desta rama
quem queria ser seu freguês?

…Mas diz-me meu marujinho
conta-me mais do que vês!

Vejo e ouço muita gente
gente humilde e gente fina
à Porta do Continente
para comprar aspirina
E dão vivas a valer
por vós terdes ordenado
que se podiam vender
em qualquer Hipermercado

Mas também sois contestado
as farmácias já se alinham
por lhes ver ser retirado
o monopólio que tinham…
-…Ai sim? pois deixa-os berrar
eu sou cego, surdo e mudo
direi mais: Deixa-os pousar
que ainda não ouviram tudo

Fica a saber essa gente
que não só os Hipermercados
podem vender livremente
remédios não receitados
desde o Control ao Durex
do melhoral à aspirina
vai ser tudo à “vontadex”
nas bombas de gasolina
.

março 10, 2005

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p’ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr’à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p’lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P’ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?…D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Era tempo de ocupar
camarotes e beliches
eram novos, a estrear
bem confortáveis, bem fixes
É claro que os tenentes
ocupavam camarotes
o resto das outras gentes
os beliches, mais fracotes

O grosso da marujada
toda ao monte, pois então?
pelo convés espalhada
com os costados no chão
Há séculos que assim era
sempre assim fôra vivido
a vida dura e austera
tinham há muito assumido

“…Falta muito para zarpar?
ó piloto do inferno?
eu quero é fazer-me ao mar
que em terra não me governo
o Banco levou-me a casa
o fisco o meu carrinho
a mulher bateu a asa
deixou-me a falar sozinho”…

“…Foi bem feito,meu sacrista!
quem te mandou ser otário?
querias ser galo de crista
foste frango de aviário
elegeste um trapalhão
D. Burroso, essa vedeta
para ser ele o Capitão
da bela Nau Catrineta…

…Em vez da prata e do oiro
que dizia ir trazer
afundou foi o tesoiro
e deu à sola a correr
Depois foi D. Santanás
com ele foi um fartote
já percebes porque estás
não de tanga, mas pelote?”…

Calou, seus fala-barato
vós sois piores que peixeiras
e toca a dar ao sapato
acabar com as brincadeiras
uma encomenda selada
vai chegar via postal
vem do Caldas enviada
p´ra D. Diogo Amaral

Assim que ela cá chegar
quero ser logo avisado
aquele que a entregar
vai levar outro recado
D. José me confiou
esta tarefa importante
escusado dizer que estou
bem por demais radiante

Irei dizer ao carteiro
que diga de uma assentada
ao marmelo que primeiro
no Caldas vir à entrada:
De D. José venho a rogo
informar-vos em geral
que o quadro de D. Diogo
de Freitas do Amaral
foi com prazer recebido
logo,logo colocado
no local que lhe é devido
prontamente preparado

D. Paulinho a sua acção
foi a de um puto de escola
ou você é parvalhão
ou não bate bem da bola
mas pode ficar ciente
depois desta brincadeira
pode haver na sua gente
quem espete o seu na lixeira

março 05, 2005

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
conta os dias a ampulheta
para que possa zarpar
vestida de novas cores
se fará de novo ao mar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Só faltava uma semana
p’ra nobre real
buscar nova Taprobana
em nome de Portugal
Era grande a confusão
que por ali imperava
os jornais, a televisão
vendo a gente que chegava

Olha o gajeiro e o calafate
o capelão, o tanoeiro
o farreiro, o alfaiate
ena tanto marinheiro!
Mas o que os escribas queriam
nem de longe nem de perto
por mais que olhassem não viam
o que queriam ver ao certo

Surgindo ao fundo da praça
montado em branco alazão
D. José, de sua graça
eis o novo Capitão
Mas… vem só?- pergunta um
dos escribas do inferno-
então não trazeis nenhum
comandante subalterno?

Ficai pois vós a saber
ó D. José da Rosinha
que exigimos conhecer
quanto antes, depressinha
quem são os vossos tenentes
queremos fazer o jornal
nem que nos diga entre-dentes
que não levamos a mal

Caros senhores jornalistas
aí estão eles, todinhos
tevês, jornais e revistas
esperem só um bocadinho
Primeiro vou eu falar
duas perguntas a meio
a seguir ponho-me a andar
vão a correr ao correio

Um… dois… três… e TCHAM!
cairam nas redações
do Correio da Manhã
à Rádio e Televisões
o fax mais aguardado
pelos escribas da treta
quem é que foi nomeado
tenente da Catrineta

Correm todos em tropel
perante o pasmo das gentes
para agarrar o papel
com os nomes dos tenentes
queriam ser os primeiros
a poder comunicar
já tinham os paineleiros
prontinhos a comentar

Ficou então a saber
a populaça na altura
como passaria a ser
o princípio da aventura
Como iriam começar
os versos na narração
quedou-se pronta a escutar
o arauto da nação:

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito

D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p’ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro

D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem

D. Pedro estará à ré
transmitindo à populaça
aquilo que D. José
vai ordenar que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p’lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão

A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P’ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?…D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar