Lá Vem a Nau Catrineta (29 a 31)

Dezembro 18, 2004

dezembro 18, 2004

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Estava a Nau já atracada
por ordem de El-Rei Sampaio
depois de ser escavacada
por essa corja de um raio
que quase a havia afundado
nos tempos de D. Durão
e ainda mais arrombado
por Santanás capitão

Pondo fim aos disparates
fez D. Sampaio avançar
ferreiros e calafates
para a poderem reparar
desde rombos a fracturas
no casco e nos mastaréus
que após estas aventuras
estavam de bradar aos céus

Até a arca do saque
sofrera de um rombo tal
que ia dando um ataque
a El-Rei de Portugal

Fora o pilim quase todo
p’ra luxos e mordomias
tinha sido mais que um bodo
de folguedos e folias
desde carros a acessores
secretárias, secretários
gabinetes p’rós doutores
buracos rodoviários

Tendo os bichos do demónio
chegado ao fundo do saco
toca a vender patromónio
para tapar o buraco
Agora, está bom de ver
que o que se segue, sabeis:
os dedos ter que vender
após venda dos anéis

E a pobre marujada?
quando o escorbuto atacou
na despensa esvaziada
nem um limão encontrou
Todo o dinheiro servia
p’rá desbunda dos tratantes
p’rá festança e prá folia
dos sinistros comandantes

E a escola da marinhagem
também ela achincalhada!
foi um fartar vilanagem
deixaram-na desgraçada
sem rumo foi navegar
um seja o que Deus quizer
sem mestres para ensinar
sem alunos p’ráprender

Neste estado degradante
entrou a Nau no estaleiro
virá novo Comandante
em meados de Fevereiro
Pra não correres novo risco
tem cuidado, Catrineta
não se vire só o disco
e se toque a mesma treta

dezembro 11, 2004

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Eis que a nossa Nau entrava
no pontão sul de Belém
a viagem terminava
ordem directa de El-Rei

D. Sampaio ordenava
ao pessoal do estaleiro
que a Catrineta encostava
p’ra obras até Fevereiro

Chancelou o documento
com o sinete real
e a partir daquele momento
no meio do maralhal

disse p’ró estafeta-mor
“levai-o a D. Santanás”
que o leia, por favor
e que faça marcha atrás

Finalmente era ordenado
sem piedade nem dó
o fim deste triste fado
o fim do forrobodó

D. Santanás furioso
ao ler o tal “papelinho”
vociferou em tom raivoso:
“chamai-me já D. Paulinho”

“Que foi, Senhor Capitão,
porque estais tão furibundo?
vem aí algum tufão
ou a Nau bateu no fundo?”…

“Deixai-vos de armar aos cucos
e dessas bocas foleiras
travai os gestos malucos
veja lá se tem maneiras!

Estamos todos demitidos
Santanás, Capitão Gay…
fomos todos despedidos
por ordem expressa de El-Rei

E ordena sem mais demora
que a Nau seja encostada
no real estaleiro,AGORA!
p’ra que seja reparada

Como vêdes D. Paulinho
aventura terminada!
contra isto, meu santinho
não podemos fazer nada!

Ó que pobre sorte a minha
porque larguei eu Lisboa?
a Figueira, a bola e a Cinha…
a vidinha era tão boa…”

“Calma, calma Capitão
que algo se há-de arranjar
a arte da confusão
sou eu mestre a preparar…”

“Mas não há nada a fazer,
chegou ao fim o caminho…”
“Isso é o que vamos ver…
..onde é que está o livrinho?…”

“O livrinho?! Qual livrinho?!…
que estais vós a magicar?
A Bíblia?! D. Paulinho?
que ides vós arranjar?!”

“Um, dois, três…vamos a isto!
Vejamos onde calhou
Àh! calhou na Paixão de Cristo
quando o galaró cantou!

Eu não disse, Capitão,
que este truque nunca falha?
encontrei a solução
toca a’frontar a canalha!”…

“Macacos me mordam todo
se vos entendo na hora…”
Meu Capitão, é o engodo
que vamos lançar agora!…”

“Engodo?! Mas qual engodo
que vamos lançar agora?!
estais é maluco de todo
vou deitar-vos borda-fora!”

“CALMA AÍ, D. Santanás
começemos o ensaio
veremos do que é capaz
para afrontar D. Sampaio…”

“Afrontar? Isso é que eu queria!
e derrubar, afinal!
quem sabe, pudesse um dia
ser o Rei de Portugal…

Foi por crer que isso era um meio
que aceitei comandar
esta Nau que agora odeio,
para lá poder chegar…”

“Está a ver, Capitãozinho?
tende fé e confiai
aqui no amigo Paulinho
que um amigo nunca trai

Sereis rei, queiram ou não
os reviralhos da treta
e eu vosso Capitão
da bela Nau Carineta

Mas voltando à vaca fria:
como o livro santo indica
logo ao despontar do dia
direis de El-Rei com genica:

Ele é um grande aldrabilhas
e um hereje, que eu bem sei
porque apontou p’ra Cacilhas
jurando por Cristo Rei

Três vezes ousou gritar
fosse qual fosse a razão
nunca me iria tirar
o posto de Capitão

Ora de um Rei aldrabão
que podeis vós esperar?
não quero ser Capitão
nem esta Nau comandar

Prefiro ser desterrado
para os confins do universo
que aturar este chalado
deste Rei mau e perverso

Vereis como o povo “papa”
este tipo de lamentos
vós saireis à sucapa
esperando novos ventos

E quando a hora soar
digo-vos eu, que bem sei
alguém vos virá buscar
para serdes o novo Rei

dezembro 01, 2004

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros

Andava a nau bolinando
Tejo abaixo sem destino
D. Santanás besuntando
seu ralo cabelo fino
D. Portas mudo e calado
olhos fixos no além
espera nervoso e sentado
por notícias de Belém

E eis que então de repente
sol a pino, era meio-dia
D. Santanás pára o pente
e berra para o vigia
Sobe à gávea meu marujo
sei que a borrasca me aguarda
e como à sina não fujo
então que venha a bernarda

Vê se topas de luneta
quem me quer fazer a cama
além desse El-Rei da treta
os autores de toda a trama
embora p’ra ser sincero
eu já os conheça bem
desde o Mendes ao Marcelo
e ao candidato a Belém

E ainda a Manuela
e o filho de uma rameira
que deitava p’la janela
o DVD do Vieira
foram muitos os traidores
devia ter estado a pau
malditos conspiradores
contra o comando da Nau

Da parte que toca a nós
sempre vos fomos leais
nunca criámos torós
borrascas ou temporais
Digo eu, D. Paulo Portas
e é a verdade acabada
se as coisas sairam tortas
foi a laranja a culpada

Cale-se lá um bocado
que isso é conversa fiada
Marujo: estás tão calado
ainda não viste nada?

Meu Capitão, vejo sim
vejo El-Rei muito animado
com os homens do pilim
e D. Soares a seu lado
e também o D. Aníbal
e ainda o Cardeal
perguntando se é possível
fazerem-lhe o funeral

A si e a D. Paulinho
e à tralha que vos seguiu
vão mandar-vos de fininho
p’rá p… piiiiiiiiiiiiiiiiiiuuuuuuuu!!!
dizem que estão liquidados
e que a partir desta altura
estão mortos e enterrados
bem fundo na sepultura

Àh,ah,ah! deixa-me rir
bem enterrado uma ova
pois saibam que hão-de assistir
ao morto a sair da cova

Digo-vos eu Santanás
as vezes que for preciso
que ainda hei-de voltar
p’ra vos chagar o juízo