Lá Vem a Nau Catrineta (16 a 19)

Agosto 27, 2004

agosto 28, 2004

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros

Andava a Nau à bolina
e o mar estava encrespado
pela costa vicentina
seguia o bando danado

Um marujinho entoava
uma canção do Zé Cabra
um outro o acompanhava
sem falhar uma palavra

No meio de toda esta paz
que nem o céu possuia
alguém de forma mordaz
disse à malta que o ouvia

…companheiros destas rotas
se Santanás sem pudores
tem dezasseis guarda-costas
tem mais de vinte acessores…

Se Santanás e Bagão
o Portas e o Morais
O Guedes e o João
e todos os outros mais…

Quiseram meia centena
de Audis topo de gama
então a tropa pequena
em que teta é que ela mama?

Nós que somos da pandilha
também queremos gozar
dizei pois ó da quadrilha
que vamos reivindicar?

Eu quero três secretárias
altas, loiras,à maneira
e com glandes mamárias
do tipo Isabel Figueira

Olhem-me este rapa-tachos…!
com cara de porco sujo!
p’ra que querias três borrachos
se és um reles marujo?

Para quê, perguntas tu?
meu atrasado mental…
ouve bem meu gabirú
miolos de Neanderthal

Com o nabo desse maltêz
que nos está a comandar
mais semana menos mês
vai esta Nau naufragar

E se qualquer deles sabe
que isto é sol que dura pouco
antes que o bodo se acabe
é gozar que nem um louco !

Sendo assim, quando chegar
o dia do afundanço
vou tratar de me safar
pois não sou parvo nem tanso!

Mas qual é a relação,
explica lá se puderes
entre a tua salvação
e as três ditas mulheres?

Ó triste homem do mar
para que queres tu a cachola?
se nem sequer sabes pensar
que andaste a fazer na escola?

Quando esse dia chegar
Vou-me agarrar às três jóias
e nunca me irei afogar
se me prender a seis bóias!

agosto 21, 2004

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros

Vai se não quando rebenta
no convés tal peixeirada
que põe a Nau em tormenta
com os gritos da marujada

E tal era a berraria
que nem mesmo no Bolhão
nunca se vira algum dia
semelhante confusão

Neste Dantesco cenário
eis que surge de roupão
côr amarelo-canário
Santanás, o Capitão

Mas que raio de chinfrim
vem a ser este afinal?
pergunta ao Morais delfim
o da branca que é fatal

Vos juro meu Capitão
que não conheço o motivo
nem sei qual é razão
para tamanho alarido

Trazendo “A Bola” na mão
de ceroulas encarnadas
surge a seguir D. Bagão
descendo o lance de escadas

Também D. Portas arriba
com um marujo p’la mão
que pela surra se esquiva
para o meio da confusão

Olham os quatro espantados
o serrabulho total
os ânimos estão exaltados
ninguém se entende afinal

Alto e pára o chavascal!
berra então o Comandante
a razão deste arraial
quero saber neste instante

De uma simples penada
a algazarra cessou
e do meio da molhada
um marujo murmurou

A causa da confusão
vou eu dizer-vos sem medo
sabei senhor Capitão
foi por causa de um segredo

-De que segredo falais?
explicai-vos, não entendo…
-Aquele que vem nos jornais…
diz o marujo tremendo

Mau Maria, Mau Maria!
que história é essa afinal?
fazem esta berraria
só por causa de um jornal?

…As cassetes que voaram
nosso senhor Capitão…
metade diz que as roubaram
outro meio diz que não

Como ninguém se entendia
com toda esta xarada
a razão foi pela pia
desatou tudo à chapada

Seus cabeças de melão
seus tarolos de hortaliça
quem pensam vocês que são
p’ra entender a justiça?

Que mania a do povinho
discutem o que não devem
voltem lá ao trabalhinho
que é para isso que servem

Vamos lá a destroçar
e a acabar com o escarcéu
toca lá a trabalhar
que prá pensar estou cá eu

Mas como sou um bonzão
vou desvendar o segredo
que causou a discussão
sobre todo este enredo

As cassetes em questão
qual magia maravilha
não foram roubadas,não
passaram de pai para filha

Como é que o pai as comprou
nunca ninguém vai saber
nem quanto ele pagou
para as conseguir ter

Agora que já cumpriram
o plano combinado
dizem que as destruiram
e pronto, acaba-se o fado

agosto 14, 2004

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros

Eis senão quando é chegada
mais uma bronca fatal
que põe toda a piratada
em alvoroço total

D. Portas muito aflito
agarrado ao namorado
cala a ralé dando um grito
SILÊNCIO, canta-se o fado…

fado?… qual fado pôrra!
já estou a ficar xéxé
S. Vicente me socorra
Ai valha-me S. José

O que eu queria gritar
há bocado ali atrás
era… SILÊNCIO…CALAR!
Vem aí D. Santanás!

E eis que surge altaneiro
o comandante na Nau
dizendo ao pagode inteiro
“rapazes… isto está mau!”

Chegou-me vindo da fonte
de fonte bem informada
por outra fonte da fonte
que a coisa vai dar tourada

Eu tentei tudo, de facto
para evitar a borrasca
até lhes propuz um pacto
por estarmos todos à rasca

Mas não é que uma atrevida
cagando-se para o segredo
vai querer lixar-nos a vida
com bronca de meter medo?

Chamem lá os estupores
que foram nessa cantiga
não sabem que os gravadores
já são uma coisa antiga?

Ó seus tótós enfezados
seus miolos de girino
não sabiam estar calados
sobre um plano tão fino?

P’ra sair da confusão
o que vamos nós dizer?
arranjai lá solução
pois não sei o que fazer

E de um silêncio de morte
ficou a Nau possuída
Olhou-se a Sul e Norte
procurando uma saída

Já sei, senhor Capitão
gritou então D. Paulinho
penso ter a solução
p’ra sairmos de fininho

Esses miolos de alpista
vão negar a gravação
processam o jornalista
dizem que é tudo invenção…

Parai lá com as bacoradas
mas não estais a recordar
que há cassetes gravadas
para o poderem provar?

Mas não estais a entender
meu capitão general
como vamos nós torcer
toda a verdade afinal?

Enfiamos-lhes o barrete
e com a nossa distinta lata
dizemos que essas cassetes
eram cassetes pirata

agosto 07, 2004

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros

Andando a Nau à bolina
Ali junto ao mar da palha
grita às armas o fachina
pondo em sentido a maralha

E eis que surge altaneiro
com o mesmo olhar pedante
e aquele ar de rafeiro
Santanás, o comandante

A marujada da Nau
que o topa já de ginjeira
pensa consigo:”mau,mau…
vai sair daqui asneira…”

Pigarreia finamente
endireita a costelada
e dando um passo em frente
fala assim pr’á piratada

Ouvi o que vou dizer
sua cambada de azelhas
quero fazer-me entender
abram bem essas orelhas

Nesta nau daqui p’rá frente
o centralismo acabou
fique a saber toda a gente
o que esta tola pensou

Nem D. Durão, o Burroso
o sonhou um só instante
e eu vou ficar famoso
por esta ideia brilhante

Decerto que falais sério
exclama D. Bagão
terminai lá com o mistério
explicai-vos capitão!

Acabar com o centralismo?!!!
juro por Nossa Senhora
e sobre o meu catecismo
que estou a ficar à nora!

Ouvi então marujada
e também vós D. Bagão
o que pensei de madrugada
fazer nesta embarcação

Cada comando adjunto
passa a ficar instalado
num local que fique junto
ao que lhe é destinado

Começando em vós D. Bagão
digo-vos que será assim:
ireis viver no porão
junto ao baú do pilim

E os outros sem excepções
também vão ter que mudar
mandarei aos tubarões
aquele que recusar

Logo D. Portas se abeira
de Santanás na amurada
grasnando e de que maneira
com sua voz esganiçada

Longe de mim, capitão
afrontar a ordem sua
tendo um marujinho à mão
até comando na rua

Só uma coisa entretanto
nos poderá entravar
com um de nós em cada canto
como vamos comunicar?

Para vos ter que aturar
peço a Deus muita paciência
então nunca ouviu falar
do que é vídeo-conferência?

Mas na Nau, meu Capitão
como se pode instalar?
se ninguém tem formação
como é que a vamos montar?

Ó seu cérebro de retrete
Ó seu cabeça de nabo
Requisitando Internet
E chamando a T.V.Cabo