Lá Vem a Nau Catrineta (11 e 12)

Março 21, 2004

março 21, 2004

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
ouvi agora senhores
esta história de pasmar
S. Paulo Portas à proa
D. Burroso a comandar

S. Bagão trata do pré
Santa Manuela do saque
o resto desta pandilha
pronta a passar “ao ataque!”

Sobe à gávea periquito
grita o Barroso ao Bagão
e não fiques aflito
marinheiro lampião

Só te faltam as peninhas
p’ra pareceres um passarinho
és o perfeito lingrinhas
minorca e muito magrinho

Enganas bem quem te escuta
pois se prestar atenção
vê em ti a massa bruta
de que é feito um passarão

Tens um nariz de doninha
olhos de burro mal morto
trepa lá pela escadinha
toca a praticar desporto

Mas meu senhor Capitão
essas ordens me afligem
tenho quebras de tensão
sabei que sofro vertigem

Mas ao subir as escadinhas
se tu puseres mal os pés
É só abrires as asinhas
a aterras no convés

E foi assim pouco a pouco
com o coração na mão
que subiu o passaroco
ao topo da embarcação

Abriu o olho direito
e a seguir o canhoto
endireitou logo o peito
pôz um sorriso maroto

E disse p’ra D. Durão
que paisagem, Ai Jesus!
sabeis ó meu Capitão
que vejo o Estádio da Luz?

E vejo o Camacho irritado
como bom espanhol que é
com o sovaco suado
e sempre, sempre de pé

Se calhar é da tensão
calai já esse camelo
o pobre do D. Bagão
virou um Jorge Perestrelo

É o que dá ter marujos
que só querem futebóis
ou são cegos ou sabujos
ou são uns grandes cowboys

Março 13, 2004

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
ouvi agora senhores
esta história de pasmar
S. Paulo Portas à proa
D. Burroso a comandar

S. Bagão trata do pré
Santa Manuela do saque
o resto desta pandilha
pronta a passar “ao ataque!”

Sobe à gávea Figueiredo
meu ministro da polícia
trepa p’la escada sem medo
mostra lá essa perícia

Mas leva os óculos na mão
não caiam pelo caminho
e se desfaçam no chão
q’ainda ficas mais ceguinho

Se com óculos já és fraco
e sempre a fazer asneira
com eles feitos num caco
serias uma toupeira

Podeis ficar em descanso
meu capitão general
que desta vez afianço
nada me irá correr mal

Já tomei os meu cuidados
para que nada aconteça
levo os óculos amarrados
com um cordel à cabeça

Diz-me então curto de vistas
se está seguro Portugal
contra bombas e bombistas
e o terrorismo em geral

Vê se vês alguém com fronha
que pareça um suicida
e que não tenha vergonha
de assim pôr termo à vida

Olha sempre para a cintura
que é aí que as bombas estão
e vê bem o que segura
por entre os dedos da mão

Mas quando chegar à altura…
ai que grande confusão
é à mão ou à cintura
que devo dar atenção?

Ó minha cabeça dura
minha minhoca da terra
tens que olhar bem p’rá cintura
e para o que a mão encerra

Á cinta vão as bombinhas
o detonador na mão
atenta nessas coisinhas
presta bem toda a atenção

Agora já entendi
meu capitão general
e já estou a ver um
eu sou mesmo bestial

Querem ver que este artista
afinal não é ceguinho?
prendamos esse bombista
já estamos no bom caminho

Diz-me lá ó Figueiredo
como é que ele é?
tem cara de meter medo
vem de carro ou vai a pé?

Vem de avião, meu senhor
e aperta algo na mão
deve ser o detonador
de que falasteis então

E a cintura até espanta
parece um pneu inchado
traja um túnica branca
e vem bem acompanhado

Trás um magote de gente
e vocifera impropérios
fala de guerra ao continente
e de outros casos mais sérios

Diz que rebenta com tudo
nos valha Santa Maria
e diz que é rei no Entrudo
sempe pronto pr’á folia

Ouve lá meu caramelo!
– grita o senhor D. Durão-
tu não vês que esse marmelo
é o Alberto João?

Tem a cintura do Buda
e um charuto na mão
Nosso Senhor nos acuda
lá se vai mais um milhão

Antes viesse o Osama
que a esse sem ter dó
fazíamos nós a cama
e ia pró Xilindró

Salta daí meu cegueta
nem com quatro olhos vês
e pega lá a agulheta
vai lavar esse convés

Ó que sorte tão bardina
descobri mais um cegueta
que só serve p’ra fachina
dentro da Nau Catrineta