Lá Vem a Nau Catrineta (8 a 10)

Fevereiro 29, 2004

fevereiro 29, 2004

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
ouvi agora senhores
esta história de pasmar
S. Paulo Portas à proa
D. Burroso a comandar

S. Bagão trata do pré
Santa Manuela do saque
o resto desta pandilha
pronta a passar “ao ataque!”

Sobe à gávea Luizinho
meu enfermeiro real
mas sobe devagarinho
não te aconteça algum mal

Põe o pé, depois a mão
não vás cair de cabeça
valha-me Santo Adrião
que tal coisa te aconteça

Pois lá de cima para o chão
nem um osso se aproveita
olha bem toma atenção
não faças essa desfeita

Podeis ficar descansado
ó meu senhor Dom Durão
tomarei eu bom cuidado
para não malhar no chão

Diz-me então meu marujinho
dos hospícios cá da terra
como vai o serviçinho
como vai a tua guerra

Estou a tratar a saúde
com o máximo desvelo
assim o Senhor me ajude
está sendo um belo modelo

Nomei administradores
daqueles que cobram milhões
e conduzem seus valores
em bons e altos carrões

E secretárias catitas
que dão um toque de beleza
e umas cores mais bonitas
àqueles antros de tristeza

Mas ouve lá minha besta!
interrompe D. Barroso
quanto vai custar a festa
desse cortejo faustoso?

Vais levar umas palmadas
eu já te vou dar o bodo
levas trinta chicotadas
que até te borras todo

E tu ó da molina
com cara de pudin flan
trás-me lá uma aspirina
e também um compensant

Que já me dói a cachola
e o estômago azedou
olhem só para o estarola
que em saúde nos tocou

fevereiro 14, 2004

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
ouvi agora senhores
esta história de pasmar
S. Paulo Portas à proa
D. Burroso a comandar

S. Bagão trata do pré
Santa Manuela do saque
o resto desta pandilha
pronta a passar “ao ataque!”

Sobe à gávea Marques Mendes
que és pequeno mas geitoso
E diz-me do que se fala
nas terras de D. Barroso

Subir eu meu capitão?
Tenho medo das alturas
Eu sofro do coração
E ainda mais de tonturas

Já prá gávea seu minorca
Não chore como criança
nem guinche como uma porca
vendo a hora da matança

Mas com a altura que tenho
e por mais que seja lesto
um homem do meu tamanho
entra inteirinho no cesto

E sendo eu pé de coentro
chamado minorca-mor
Entro inteirinho lá dentro
não vejo nada ao redor

Levai convosco um banquinho
desses que estão no convés
já ficais mais subidinho
p’ra ver tudo lés a lés

Ora bem seu porta-chaves
agora que já lá mora
dizei-me quais os entraves
do meu reino nesta hora

A cena que se desenrola
meu capitão general
é o novo tema da escola
a educação sexual

Ai valha-me Santo António
meu santinho milagroso
sexo é obra do demónio
afirmo-o eu, D, Barroso

Não ouviram pois vocês
que a Santa Igreja Romana
o disse mais que uma vêz
vinte vezes por semana?

O sexo é uma chatiçe
só inquina a mente sã
deve ser outra parvoiçe
saída de um tal Louçã

Esse tipo é um rafeiro
pois ainda esta semana
tentou pôr Portugal inteiro
a fumar marijuana

É a encarnação do diabo
que é cada vez mais arguto
não demorava um bocado
andava tudo no chuto

fevereiro 07, 2004

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
ouvi agora senhores
esta história de pasmar
S. Paulo Portas à proa
D. Burroso a comandar

S. Bagão trata do pré
Santa Manuela do saque
o resto desta quadrilha
pronta a passar “ao ataque!”

Sobe à gávea Sevinate
meu soldadinho guerreiro
mas não digas disparate
não te armes em bombeiro

Já me pergunta a Nação
porque é que não há pescada
vê lá se vês a razão
porque não pescamos nada

É que há semanas a fio
que só pescamos taínha
Não se vê pargo ou safio
Nem na rede nem na linha

Essa razão tão estranha
meu capitão general
é que andam barcos de Espanha
a pescar em Portugal

Vejo suas redes e linhas
apanhando o peixe grosso
só nos deixam as taínhas
e os chicharros pró almoço

Mas quem deu a permissão
para que eles entrassem
nos mares da nossa nação
e à vontade pescassem?

Se descobrir o culpado
vou gritar em altos berros
que o quero chicoteado
e a seguir posto a ferros

Ficará a pão e água
durante um mês, pois então!
penará com dor e mágoa
vos garante D. Durão

Mas não foi o meu capitão
com vontade de agradar
que fez o acordo então
com o seu amigo Aznar?

Ai minha pobre cachola
pois claro que fui eu!
só já não lembro a esmola
que tal acordo rendeu

Fosse qual fosse a esmolinha
que o dito acordo rendeu
estamos feitos à taínha
ai que asneira que fiz eu

Agora p’ra compensar
a falta do peixe grosso
vamos a correr comprar
conservas pró nosso almoço

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